Situação econômica tem piora aguda, segundo a FGV

Entre abril e julho, o Índice de Clima Econômico (ICE) da América Latina caiu 7% e, no Brasil, a queda atingiu 22%, segundo a Sondagem Ifo/FGV. Mais do que um dado isolado, o recuo revela uma tendência que se intensifica desde o início do ano e agora ganha velocidade devido à rápida deterioração do quadro econômico.

O Estado de S.Paulo

14 de agosto de 2014 | 02h05

Com alcance global, a pesquisa do instituto alemão Ifo mostrou que o ICE da América Latina caiu de 90 pontos para 84 pontos entre abril e julho, distanciando-se em 30 pontos do ICE do mundo, de 114 pontos e em alta. O aumento da distância entre o indicador global e o latino-americano mostra que os problemas da região são domésticos, ou seja, pouco dependem da economia global, que melhora. Foi o que enfatizou a economista Lia Valls, da FGV.

Acima dos 100 pontos o clima é favorável e abaixo, desfavorável. O ICE é formado por dois subíndices, de perspectivas e de situação atual - e é nesta que a percepção dos problemas é maior. Quanto às expectativas, o ICE está mais perto da estabilidade. O ICE é ponderado pela participação de cada país na corrente de comércio (exportações mais importações) de cada região.

O ICE brasileiro puxou para baixo a média da América Latina. Pelo ICE médio dos últimos quatro trimestres, o Brasil caiu de 83 para 78 pontos e ocupa o nono lugar entre 11 países latino-americanos analisados, acima apenas da Argentina e da Venezuela. o que não chega a ser consolador. Quanto às expectativas, na comparação entre abril e junho até a Argentina, com 80 pontos, ficou melhor do que o Brasil, com 68 pontos. No índice de situação atual, o Brasil registrou apenas 42 pontos, neste caso melhor do que a Argentina, com 34 pontos. A Venezuela ocupa o último lugar nos dois subíndices, com 20 pontos em cada um.

A pesquisa consulta os entrevistados sobre despesas de consumo e de investimentos, taxas de juros, de inflação e de câmbio, além da balança comercial. Em todos os itens a situação brasileira perdeu força.

Numa avaliação dos ciclos na América Latina, Venezuela, Argentina, Brasil e Chile estão em estado de recessão, enquanto Peru, Paraguai e Bolívia vivem uma fase de boom. O México está num ciclo de recuperação econômica.

O indicador não pode ser ignorado pelas autoridades, pois reflete as intenções de investimento tanto externo como interno. O investimento externo sustenta as contas cambiais brasileiras; o interno assegura o crescimento presente e futuro.

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