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Situação externa boa, mas a dívida requer atenção

O resultado do balanço de pagamentos, divulgado ontem pelo Banco Central, confirma o estado saudável das contas externas: para os nove primeiros meses do ano, o saldo das transações externas apresenta aumento de 64%, subindo para US$ 22,1 bilhões.

O Estado de S.Paulo

26 de outubro de 2011 | 03h05

Como o quadro internacional se deteriorou bastante nos últimos meses, com a estagnação da economia norte-americana e a crise na União Europeia, é de indagar como o Brasil enfrentou esses desafios.

Um fato que se destaca é que o superávit da balança comercial, de US$ 23 bilhões, já ultrapassou o obtido em todo o ano anterior. E não foi pela redução das importações, que cresceram US$ 34,7 bilhões em valor absoluto, mas graças ao desempenho das exportações, que aumentaram US$ 45 bilhões, com a elevação tanto da demanda quanto, especialmente, dos preços das commodities, enquanto se registrava um recuo das exportações de produtos manufaturados. É uma situação que nos coloca em grande dependência da evolução da economia chinesa.

Os serviços e o movimento vinculado às rendas nas operações externas cresceram US$ 10,9 bilhões, isto é, mais do que o crescimento do superávit da balança comercial. Consequência, em parte, de maiores fluxos de transporte de exportações e importações e da taxa cambial favorável a viagens para o exterior.

As despesas com juros tiveram ligeira redução. Em compensação, as remessas de juros e dividendos explodiram: US$ 28 bilhões, mais da metade dos investimentos estrangeiros diretos (IEDs), de US$ 40,2 bilhões - o que se explica pela necessidade de enviar recursos às matrizes dos países em crise.

Registra-se, ainda, uma queda do saldo das operações em carteira de US$ 18,9 bilhões, enquanto os empréstimos e emissões de títulos no exterior apresentaram queda de US$ 5,1 bilhões, deduzidas as amortizações.

A dívida externa total atingiu US$ 297,6 bilhões; a dívida de médio e de longo prazos aumentou US$ 13,3 bilhões no mês de setembro, num momento em que ficou mais difícil sua rolagem e com custo mais elevado. Sabe-se que diversas empresas pretendem colocar títulos no exterior, em particular a Petrobrás, podendo ser necessário também captar recursos para o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

A evolução da dívida externa requer atenção: a taxa de rolagem está caindo - 221% até 25 de outubro -, mas apenas 3% nas operações com emissão de papel. E o fluxo financeiro é negativo.

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