Situação fiscal dos ricos dá sinais de melhora

Mas riscos ainda são altos e EUA, Europa e Japão devem ainda mostrar planos confiáveis de ajuste de médio prazo, adverte FMI

DENISE CHRISPIM MARIN, CORRESPONDENTE / WASHINGTON, ROLF KUNTZ, ENVIADO ESPECIAL, O Estado de S.Paulo

18 de abril de 2012 | 03h07

As contas públicas do mundo rico vão melhorar, com déficits fiscais proporcionalmente menores em 2012 e 2013, e redução do endividamento a partir de 2015, segundo as novas projeções do FMI. Mas os riscos permanecem altos e os governos dos EUA, Europa e Japão devem ainda mostrar aos mercados planos confiáveis de ajuste de médio prazo, advertem os autores do Monitor Fiscal, uma das publicações periódicas da instituição.

Os países mais avançados continuarão com o problema de avançar no ajuste necessário das contas públicas sem cortar totalmente as possibilidades de reativação econômica.

Para avaliar se há espaço para um ajuste mais lento e mais compatível com a expansão econômica os governos podem adotar como critério o resultado fiscal ajustado para o ciclo econômico, segundo sugerem os técnicos do Fundo. Para isso terão de levar em conta o produto potencial, em vez do PIB corrente.

O déficit deve cair de 6,6% do Produto Interno Bruto (PIB) no ano passado para 5,7% em 2012 e 4,6% em 2013, na média dos países avançados. No caso dos emergentes a variação será muito pequena, de 2,2% em 2011 para 2,1% nos dois anos seguintes. No Brasil, o buraco nas contas públicas deve diminuir de 2,6% para 2,3% e em seguida aumentar para 2,4%. No caso dos EUA, por exemplo, o déficit fiscal de 2011 cai de 9,6% para 7,2%, quando ajustado ao ciclo. Por esse critério, o aperto de 2011 pode ter sido mais forte que o necessário. Na média da zona do euro, o número cairia de 4,1% para 3,4%.

Para o Brasil, o resultado seria o inverso, mas com variação mínima: o déficit aumentaria de 2,6% do PIB corrente para 2,7% do PIB potencial. Mas esses cálculos são complicados e dependem da composição da estrutura produtiva de cada país, advertem os autores do trabalho.

Endividamento. O endividamento bruto dos avançados deve subir de 103,5% do PIB para 106,5% neste ano e 110,2% em 2013. O Japão continuará sendo o campeão do endividamento no mundo rico. Seu débito subirá de 229,8% do PIB para 235,8% no próximo ano e 241,1% em 2013. O peso da dívida americana continuará muito acima dos 76,1% de 2008, quando se agravou a crise econômica. A dívida superou o PIB em 2011 e foi necessária uma autorização do Congresso para a adaptação das contas públicas. A proporção deve chegar a 106,6% neste ano e 110,2% no próximo.

Na Espanha e na Itália, duas das economias desenvolvidas mais pressionadas pelos mercados, os governos terão dificuldades para alcançar as metas fiscais neste biênio, segundo o diretor de assuntos fiscais do FMI, Carlo Cottarelli. O déficit espanhol deverá chegar a 6% neste ano, 0,7 ponto acima da meta. A meta italiana para 2013 é déficit zero, mas o Fundo projeta 1,5%. Mesmo com esse desvio, será um bom resultado. O melhor será o da Alemanha, 0,6%.

A situação fiscal brasileira é bem melhor que a da maior parte das economias desenvolvidas, mas bem menos brilhante que a de vários outros emergentes. Em 2012 as necessidades de financiamento do governo brasileiro será de 18,5% do PIB, para cobrir um déficit de 2,3% e dívidas vencidas de 16,2%. Numa lista de 23 emergentes selecionados para um quadro do Monitor Fiscal, só Paquistão (30%) e Hungria (19,3%) aparecem com necessidades maiores de financiamento. A China precisará de apenas 9,1% do PIB para fechar suas contas. O México resolverá seu problema com 10,8%. A situação mais confortável dos países da lista é o Chile: 1,3% do PIB.

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