Situação insólita: um BC sem presidente

O Japão enfrenta neste momento um problema que, para muitos analistas, parece insólito, digno de um livro de realismo fantástico latino-americano: o país corre o risco de ficar sem presidente de banco central bem no meio da turbulência que chacoalha os mercados financeiros globais.O mandato de cinco anos do atual presidente do Banco do Japão, Toshihiko Fukui, termina na quarta-feira. O primeiro-ministro, Yasuo Fukuda, indicou um ex-funcionário de carreira do Ministério das Finanças, Toshiro Muto, para ocupar o cargo. Seu nome, porém, foi rejeitado pela Câmara Alta (o equivalente ao Senado no Brasil), que é controlada pela oposição. Na Câmara Baixa (ou Câmara dos Deputados), onde o governo detém maioria absoluta, Muto foi aprovado.O impasse deve perdurar ao menos até segunda-feira, quando o governo, segundo fontes não identificadas citadas pela imprensa japonesa, deve indicar outro nome. O economista-chefe do HSBC no país, Seiji Shiraishi, não está preocupado. "Na prática, o Banco do Japão não enfrenta tantas turbulências assim", diz ele.Muitos discordam. Na sexta-feira, por exemplo, o jornal ?The Japan Times?, que é lido basicamente por estrangeiros, escreveu um editorial em que pede que oposição e situação ajam "sabiamente". "Um lugar vago no topo do Banco do Japão deve ser evitado a qualquer custo", diz o texto.

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