Situação internacional afeta as contas externas

O balanço de pagamentos do Brasil exibe maior sensibilidade ao contexto internacional, mas as mudanças registradas permitem ao Banco Central (BC) reduzir a previsão de déficit das transações correntes de US$ 68 bilhões para US$ 56 bilhões. Percebe-se também que os dados parciais divulgados até 20 de junho refletem o efeito positivo da redução do IOF sobre algumas operações de entrada de capitais externos.

O Estado de S.Paulo

23 de junho de 2012 | 03h09

Os dados do mês de maio trouxeram alguns resultados interessantes. O déficit das transações correntes, que havia atingindo US$ 5,403 bilhões, em abril, caiu para US$ 3,458 bilhões, em maio. A balança comercial melhorou, de um lado, no tocante às exportações, devido à taxa cambial mais favorável; já as importações, por outro lado, mostram uma certa resistência, com a indústria nacional dependendo cada vez mais de componentes importados.

A conta de serviços continua apresentando aumento, mas a de rendas acusa um forte recuo, que reflete a queda da rentabilidade das empresas estrangeiras, além do fato de que houve concentração das suas remessas nos primeiros meses do ano. O BC considera que essa evolução tem caráter duradouro e, por isso, reduziu sua previsão de déficit em conta corrente.

Não modificou, entretanto, sua previsão de ingresso de Investimentos Estrangeiros Diretos (IED), que continua sendo de US$ 50 bilhões, valor muito mais perto, agora, do déficit em transações correntes, que na visão do BC será amplamente coberto pela conta de capitais. Isso nos leva a observar o movimento dos capitais nos últimos meses para verificar se esse otimismo se justifica.

Se no ano passado o Brasil conseguia captar todos os empréstimos que queria, com uma rolagem de 414%, hoje a situação mudou e a rolagem em maio ficou em apenas 79%. Parece que a facilidade de captação de recursos externos acabou.

Tudo indica que ante essa situação o governo se convenceu da necessidade de eliminar o IOF para algumas operações. Assim, as operações com ações, que acusaram em maio uma saída de US$ 886 milhões, apresentaram, até o dia 20 de junho, um saldo positivo de US$ 360 milhões. Nas operações de renda fixa, tivemos uma saída, em maio, de US$ 645 milhões, mas um saldo positivo de US$ 866 milhões até 20 de junho. Nos cinco primeiros meses do ano, o saldo do balanço de pagamentos caiu de US$ 39,6 bilhões, em 2011, para US$ 21,1 bilhões, em 2012, mas a evolução está toda sob controle.

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