Situação no Brasil é forte, mas País não está imune, diz FMI

Diretor diz que políticas econômicas dos últimos anos foram corretas, com muitas reservas cambiais acumuladas

Nalu Fernandes, da Agência Estado,

09 Outubro 2008 | 11h26

A situação no Brasil é uma situação forte, mas não é imune à crise, afirmou o diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Dominique Strauss-Kahn. Em entrevista na sede do Fundo, em Washington, o executivo acrescentou que nenhum país, ou parte do mundo, está imune à crise financeira, que agora é uma "crise globalizada".   Veja também: FMI ativa ação de emergência que garante crédito a emergentes Após socorro aos bancos, Lula deve ampliar apoio à agricultura Em meio à crise, Mantega e Meirelles adiam viagem aos EUA Confira as medidas já anunciadas pelo BC contra a crise Entenda a disparada do dólar e seus efeitos Ajuda de BCs mostra que crise é mais grave, diz economista Especialistas dão dicas de como agir no meio da crise Entenda o pacote anticrise que passou no Senado dos EUA  A cronologia da crise financeira  Veja como a crise econômica já afetou o Brasil  Entenda a crise nos EUA    O diretor-gerente relembrou as pesquisas econômicas que falavam na tese do descolamento. "A idéia era que os países emergentes estariam imunes à crise financeira, um argumento no qual nós não acreditávamos aqui (no FMI) desde o início. Explicávamos que nenhuma parte do mundo estava imune e, mesmo que pudesse haver alguns atrasos ou diminuição na força das ondas que estavam atingindo as economias emergentes, teriam conseqüências", ponderou.   Strauss-Kahn ressaltou que o Brasil "tem fundamentos muito fortes". Ele acrescentou que as políticas econômicas dos últimos anos foram corretas, com muitas reservas cambiais acumuladas, medidas que colocaram a economia do País em bom estado. "Mas, mesmo em bom estado, o declínio no crescimento global terá conseqüências no Brasil", completou.   Ele citou a projeção divulgada pelo FMI esta semana para o Brasil, de crescimento de 3,5% em 2009. "Para alguns países, por exemplo o meu, a França, uma taxa de 3,5% é um grande sucesso. A última vez que tivemos crescimento de 3,5% foi há 10 anos e eu não lembro quem era o ministro das Finanças. Mas, para o Brasil, obviamente, uma taxa de 3,5% não é tão bom. Tivemos taxa de crescimento entre 5% e 6%, e até mesmo mais que isso. A situação no Brasil é uma situação forte, mas não imune à crise", emendou.   Ação em conjunto    Strauss-Kahn disse ainda que a crise financeira global poderá ser contida se os líderes mundiais trabalharem juntos e agirem rapidamente. "A situação é muito séria, mas podemos resolver os problemas se agirmos rápida, rigorosa e cooperativamente", disse ele.   Ele reiterou que os cortes de juros nas economias avançadas são bem-vindos e que o estímulo fiscal deve ser usado onde há espaço para isso, mas ressaltou que as ferramentas de política macroeconômica tradicionais não irão funcionar sem que os problemas no sistema financeiro sejam enfrentados.   Strauss-Kahn disse que o mundo está "à beira de uma recessão", mas ele espera recuperação até o final do ano que vem. Na quarta-feira, o FMI cortou sua projeção para o PIB global este ano dos 4,1% previstos em julho para 3,9%. Para 2009, a estimativa foi reduzida de 3,9% para 3%. A China, segundo o diretor, sentirá o impacto da crise financeira, mas ainda assim o país deverá crescer 9,7% neste ano e 9,3% no próximo. As informações são da Dow Jones.

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