Situação norte-americana tem efeitos negativos

Mesmo enfraquecida, a economia dos EUA continua sendo essencial para a economia mundial. Isso justifica a preocupação dos que a acompanham, após a reunião do Federal Open Market Commitee (Fomc).

, O Estado de S.Paulo

24 de junho de 2011 | 00h00

Ben Bernanke, o presidente do Fed (o banco central dos EUA), mostrava-se mais pessimista quanto ao ritmo da recuperação da economia norte-americana, apesar da recompra de US$ 600 bilhões de títulos de longo prazo do Tesouro, no quadro do programa Quantitative Easing (QE2), cujo objetivo era dar impulso às atividades econômicas, embora tenha criado sérios problemas para os países emergentes, uma vez que boa parte dos recursos daquele programa está se dirigindo para eles, gerando nesses mercados um excesso de liquidez que justifica a adoção de medidas de controle da entrada de capitais externos.

O objetivo do Fed era dar um empurrão à demanda das famílias norte-americanas que iria se traduzir em queda do desemprego e em elevação do PIB. Mas, ao analisar a situação atual, os membros do Fed têm de reconhecer que a reação está longe de corresponder às previsões que fizeram. Tiveram, assim, de rever suas projeções de crescimento do PIB feitas em abril, de 3,1% a 3,5% para 2,7% a 2,9%, em 2011; de 3,5% a 4,3% para 3,3% a 3,7%, em 2012; enquanto os valores anteriormente previstos vão ficando para 2013.

A decepção tem origem principalmente na lentidão com que o desemprego, ainda elevado, vai caindo. A isso se acrescenta uma deterioração dos preços que medem a inflação, e ela poderá atingir entre 2,3% e 2,5% neste ano, podendo normalizar, a partir de 2012, entre 1,5% e 2,1%. O aumento das pressões inflacionárias numa economia em marcha lenta tem origem na elevação dos preços das commodities, em particular do petróleo.

Nesse contexto econômico, o Fed, que tem a dupla missão de controlar a inflação e de promover o crescimento econômico, enfrenta dificuldades para elevar a taxa de juros (hoje praticamente nula), pois isso dificultaria ainda mais a retomada do crescimento.

A atual situação da economia norte-americana começou na crise bancária, por isso o Fed examina com cuidado a saúde das suas instituições financeiras, notando que seus bancos não sofrem risco com a dívida grega. Todavia, assinala que os bancos europeus, muito comprometidos, têm grande vinculação com o sistema financeiro norte-americano.

A economia mundial precisa que a dos EUA se torne de novo saudável - e isso levará tempo.

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