Skaf bate duro na MP do Imposto de Renda

O presidente da Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp) e do Sebrae-SP, Paulo Skaf, afirmou que vai tentar derrubar ou modificar no Congresso a Medida Provisória que aumentou os impostos das empresas prestadoras de serviços. Em entrevista ao Jornal das Dez, da "Globo News", o empresário disse também que, na sua opinião, a indústria brasileira não vai crescer este ano tanto quanto em 2004. Skaf não poupou críticas à Medida Provisória 232, que deu desconto na tabela de Imposto de Renda da Pessoa Física, mas aumentou tributos para o setor de prestação de serviços. "No ano passado, havia um compromisso do governo de não aumentar a carga tributária, mas houve aumento de tributos. Agora, essa medida aumenta novamente os impostos para o setor de serviços, um setor importante da economia brasileira. Isso está errado. Nós vamos trabalhar no Congresso em relação a esta medida", disse Skaf. O empresário acredita também que neste ano a indústria brasileira não vai crescer tanto quanto em 2004. "A referência de 2003 ajudou muito os índices de 2004. Agora, a referência para 2005 é 2004, que já foi um ano de resultados muitos melhores. Seja por isso e seja também por essa política de juros altos e câmbio baixo, sem dúvida o desempenho de 2005 dificilmente chegará no de 2004", comentou. Terrorismo - Skaf reiterou sua declaração de que a última ata do Copom, divulgada em dezembro, foi "terrorista" ao elevar a taxa básica de juros de 17,25% ao ano para 17,75%. "Acho que quis e conseguiu assustar o mercado. Isso não é bom para o País. Ainda mais às véspera do Natal, do final do ano. Não era o momento adequado de termos um texto como foi dado em dezembro."De acordo com ele, a questão de juros altos cansou no Brasil. "São 20 anos de juros altos. Nós temos os juros mais altos do mundo. Se fosse num pequeno período, um ano, tudo bem. Agora, uma, duas décadas seguidas ninguém agüenta mais." E apesar da declaração do ministro Luiz Fernando Furlan (Desenvolvimento) de que vale a pena o exportador apostar num câmbio melhor para o setor durante este ano, Skaf avalia que a taxa atual, em torno de R$ 2,70, é um convite a se importar. "Tanto o final do ano passado quanto o início deste já sinalizam um aumento das importações." O melhor patamar do dólar, segundo o presidente da Fiesp, não é aquele que seja bom para indústria, para exportador ou para o importador. "É aquele que seja melhor para o Brasil. Nós acreditamos que se o câmbio hoje estivesse em torno dos R$ 3 estaria razoável para todos, estaria bom para o Brasil."

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