Skaf diz estar 'com pulga atrás da orelha' com apagões

O presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, insinuou nesta terça-feira que os apagões que nos últimos meses atingiram vários regiões brasileiras podem ter sido provocados por sabotagem. Ele disse que está "com a pulga atrás da orelha" pelas falhas no fornecimento de energia após a edição da Medida Provisória 579, que trata da renovação das concessões de geração, transmissão e distribuição do setor elétrico. "Quando há uma coincidência, vá lá. Quando há várias coincidências, aí é difícil", afirmou.

ROSA COSTA, Agencia Estado

30 Outubro 2012 | 17h41

O empresário lembra que a MP beneficia a população e "contraria interesses de meia dúzia de companhias que estavam muito bem". "Elas (empresas) colocavam no preço 70% de amortização de alguma coisa que já foi amortizada duas vezes. Eu estou com a pulga atrás da orelha, mas não posso acusar nada", disse. No entender do executivo, quem se sentir prejudicado deve entrar na Justiça. "Sempre é um direito, o que não pode é aprontar com as pessoas", defendeu.

Skaf evitou utilizar o termo sabotagem porque disse não dispor de provas para fazer a denúncia. "É muita coincidência mesmo. De repente, sai medida que beneficia pessoas e contraria interesses de meia dúzia de grupos estatais, aí começam essas histórias. É muita coincidência. Por que isso não acontecia até agora e está acontecendo agora?"

O presidente da Fiesp falou após conversar com o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), sobre a MP 579, cuja votação - segundo ele - está prevista para dezembro. "Esta MP vai ao encontro dos interesses da sociedade brasileira e de todos nós. Temos geração de energia ao custo mais barato do mundo por hidrelétricas e os preços mais caros do mundo na conta de luz dos brasileiros", afirmou. Ele reiterou que, mesmo sendo "correta", a medida provisória contraria interesses.

"Lutamos um ano e meio para que isso acontecesse, batalha mais longa que a CPMF. Vale quase R$ 1 trilhão. A população vai se beneficiar nos próximos 30 anos. Por outro lado, se as pessoas estão se beneficiando, alguém está perdendo. Esses que estão perdendo podem estar querendo aprontar, mas não vão conseguir. Ninguém pode ir contra os interesses do povo", lembrou. Paulo Skaf acredita que a presidente Dilma Rousseff não se intimidará "com um ou outro que queira aprontar por aí".

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