Skaf evita críticas ao governo

O presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, deixou claro ontem, durante a apresentação da nova diretoria da entidade eleita em 25 de agosto, que vai evitar críticas ao governo federal e que pretende, em vez disso, elaborar propostas junto com Brasília na busca pelo crescimento sustentado do País, com ênfase na produção.Sob a bandeira de que a indústria precisa retomar seu poder de influência na definição de políticas econômicas, o empresário disse que o setor produtivo tem de deixar de ser um mero espectador ou coadjuvante das decisões tomadas pelo governo federal. "Perseguiremos sempre os resultados ascendentes e concretos", afirmou. E foi interrompido por aplausos quando disse que "a indústria é a autoridade produtiva."Em tom bastante conciliador, Skaf pregou a união entre todos os setores da sociedade civil, dizendo que "ninguém muda nada sozinho" e fez menção especial aos sindicalistas presentes na cerimônia, logo no início de seu discurso. "Caros companheiros, vamos caminhar juntos." Ele também falou de forma especial ao presidente do Banco Central, Henrique Meirelles: "Prometo que não vou falar nada de juros e nem vou reclamar", disse, demarcando o território que o separa de seu antecessor, Horácio Lafer Piva, árduo defensor de corte dos juros para impulsionar o crescimento econômico.Skaf, diferente de Piva, defende que o tema dos juros altos deve ter um enfoque que vai além do simples corte das taxas. No combate à inflação, Skaf defendeu um choque de oferta para suprir o eventual aumento de demanda.No discurso, ele mencionou que os principais entraves do empresário brasileiro são "a burocracia emperradora, as amarras da infra-estrutura, a alta carga tributária, os juros elevados, a falta de crédito, e uma séria de exigências extravagantes para continuar a viver, ou para nascer, ou para não morrer. "Vamos mudar essa agenda com ações participativas, unidas e solidárias."Skaf anunciou os nomes do deputado federal Delfim Netto (PP-SP) para presidir o Conselho Superior de Economia da Fiesp, do ex-embaixador Rubens Barbosa para o Conselho Superior de Comércio Exterior e de Sidney Sanches para o Conselho Superior de Assuntos Jurídicos. Ainda não foram definidos os ocupantes de outros dois conselhos.Leia maisFesta suntuosa mostra força política de Skaf Lula destaca papel de Furlan como interlocutor Lula sinaliza tratamento especial a Skaf Lula: "Ainda é cedo para pensar nas eleições de 2006"

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