Skaf pede cadeia para banqueiro por alta do spread

Presidente da Fiesp aponta diferenças de quase 50% ao ano e diz que prática pode ser considerada agiotagem

Marcelo Rehder, O Estadao de S.Paulo

14 de fevereiro de 2009 | 00h00

O presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, acusou alguns bancos de se valerem do momento de crise para cobrar spreads de quase 50% ao ano. Spread é a diferença entre a taxa de juros cobrada por bancos e financeiras dos clientes e a que eles pagam para captar os recursos. Para Skaf, o nível elevado de spread configuraria uma prática típica de agiotagem.Skaf citou diretamente o banco HSBC, que segundo ele cobrou um spread médio de 45,6% nas operações de crédito para capital de giro realizadas com empresas entre 16 e 22 de janeiro. "É uma roubalheira", afirmou o presidente da Fiesp em entrevista ao Estado."No HSBC, o spread é de quase 50%, e a fonte é o próprio Banco Central, não são coisas inventadas", ressaltou.Segundo Skaf, cobrar uma taxa dessas num período de crise é algo inaceitável e justificaria inclusive a prisão do presidente do banco. "Tem que ir lá e prender como agiota", disse o presidente da Fiesp. "Se isso acontecesse há 40 anos, dava cadeia, por agiotagem." Ele alegou que a previsão de inflação para este ano está entre 4% e 5% e há bancos no mercado cujo spread no período foi de 12,7%, caso do Santander, e de 15,2% (Caixa Econômica Federal). "Se esses sobrevivem e ganham dinheiro, por que o outro cobra quase 50%? ", questionou Skaf.Procurada, a diretoria do HSBC disse, por meio de sua assessoria, rejeitar, fundamentalmente, as críticas e os comentários contra a instituição, "que tem uma reputação de solidez e transparência em seus 144 anos de história, tendo sido apontada recentemente como a marca bancária mais valiosa do mundo pelo ranking ?500 Global Financial Brands 2009?, da revista The Banker, uma publicação do Grupo Financial Times".Além disso, enviou a seguinte nota : "O HSBC informa, por meio de sua assessoria de imprensa, que não reconhece o spread mencionado de seu produto de Capital de Giro pré-fixado para empresas. O site do Banco Central lista taxas de juros e não spreads, apresentando oscilações expressivas entre as instituições pesquisadas, dependendo do período em questão."O HSBC reafirma seu compromisso de oferecer as melhores soluções de crédito aos seus clientes empresariais. Oferece uma das melhores relações custo x benefício no relacionamento com seus clientes empresariais evidenciado pelo crescimento desta área, acima da média de mercado nos últimos anos."O HSBC opera o produto Capital de Giro pré-fixado com taxas de 2,6% à 4,83% ao mês, dependendo do porte da empresa, perfil creditício e histórico de relacionamento com o banco, além disso, para valores menores, oferece o Giro Fácil, com taxas entre 4,49% a 5,44% ao mês para micro e pequenas empresas."As taxas estão em linha com os bancos concorrentes do mercado brasileiros e refletem o atual momento econômico onde se observa o aumento da inadimplência."O presidente da Fiesp também questionou o spread do Banco do Brasil, de 23,4%. "O da Caixa foi 15,2%. Então, eu não entendo por que o BB tem que ter um spread de quase 10 pontos porcentuais maior."

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