Skaf pede menos impostos e redução de gastos públicos

O presidente da Fiesp, Paulo Skaf, voltou a pedir uma redução dos gastos públicos e também dos juros para que o País possa retomar o caminho do crescimento sustentado. "Eu espero que não haja teimosia e se corrija o rumo", exortou o líder empresarial em entrevista ao programa Canal Livre, da "Globo News". Skaf deu a receita do que acredita ser o primeiro passo dessa mudança. "Para reduzir a carga tributária de forma responsável, precisa primeiro cortar o gasto público. Precisamos de menos gastos, menos impostos e, com isso, vamos ter menos informalidade, além de ajudar também a baixar os juros." Paulo Skaf lembrou que os juros altos acabam atraindo mais dólares para o País, deflacionando a moeda norte-americana e prejudicando os exportadores. Com isso, alguns setores que dependem mais das vendas externas já começam a demitir, como é o caso do setor calçadista. "Hoje, o exportador se sente numa certa armadilha. Porque ele está num trilho sem muita alternativa, mas perdendo dinheiro com esse câmbio", salientou. "Com o ingresso de capital especulativo há uma pressão em cima do câmbio. E hoje nós temos um câmbio que não reflete a realidade: ele tira competitividade do produtor brasileiro, tanto na hora de concorrer com os importados no mercado doméstico, como na hora de exportar e concorrer com outros países no exterior." O presidente da Fiesp foi irônico ao comentar a reação dos argentinos ao crescente déficit comercial com o Brasil. "Durante os 14 anos do Tratado de Assunção, os argentinos acumulam um superávit de US$ 10 bilhões com o País", lembrou Skaf. "Nos anos em que a balança foi favorável à Argentina, nunca tivemos problema. Todos os anos em que a balança favorece ao Brasil, os argentinos berram. Isso é choradeira." O empresário ressaltou que os empresários não podem ser acusados de responsáveis pela inflação. "Os preços livres sobem a metade dos preços administrados. O nosso problema são os preços administrados", ponderou. E alertou que a política de juros altos do Banco Central tem sido inócua no combate à inflação: "É puro desperdício", garantiu. "Esse último (aumento da taxa básica) do Copom de mais 0,25 ponto porcentual adiantou apenas para o governo gastar R$ 2 bilhões a mais com juros. Desde setembro do ano passado, esse acréscimo de juros de lá para cá já custou mais de R$ 5 bilhões."

Agencia Estado,

16 Maio 2005 | 03h55

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