SLC prevê terra mais barata e menos gastos com expansão

'Acreditamos que o preço da terra vai cair, pela relação com o preço da commoditiy', diz executivo

ROBERTO SAMORA, REUTERS

30 Outubro 2008 | 19h41

A recente queda nos preços das commodities agrícolas em relação aos recordes registrados neste ano deve pressionar o valor da terra no Brasil, e assim a SLC Agrícola espera manter seus ousados planos de plantio gastando menos em 2009 do que o previsto anteriormente, disse o diretor-presidente da empresa. "Acreditamos que o preço da terra vai cair, pela relação com o preço da commoditiy", disse à Reuters o executivo Arlindo Moura, admitindo que a idéia é que, investindo menos, a empresa possa incorporar no ano que vem a mesma quantidade de áreas previstas em seu plano estratégico. Os preços da terra, assim como as commodities, atingiram valores recordes no país neste ano. Em meio à crise de crédito global que afetou não só as commodities mas os mercados acionários, a SLC, uma das companhias que mais crescem em área plantada no mundo, ampliando o plantio em 50 mil hectares por ano, busca se enquadrar aos tempos de menor liquidez. Pois, mesmo mantendo os planos de expansão, está revisando os gastos previstos para o ano que vem. "Tínhamos um plano maior do que pretendemos fazer. O nosso histórico de investimento, para cumprir o programa, era 300 milhões de reais por ano. Já fizemos isso nos dois últimos anos. Mas nesse último ano (2009) vamos revisar", declarou o diretor-presidente, acrescentando que o valor total a ser gasto ainda está em "fase de análise". Para a safra atual, (2008/09) a empresa confirmou seus planos de plantar 220,8 mil hectares, alta de 29,4 por cento em relação à área cultivada na temporada anterior, e para 2009/10 serão 50 mil hectares a mais, a mesma previsão feita antes da crise. A empresa --controlada pela família Logemann e que conta com investidores estrangeiros entre os acionistas minoritários-- planta principalmente soja, algodão e milho, numa proporção de 50, 35 e 15 por cento, respectivamente, e aposta na rotação de cultura como forma de garantir uma boa produtividade. O executivo da SLC, que anunciou na noite de quarta-feira lucro líquido de 18,5 milhões de reais no último trimestre, aumento de 85,5 por cento em relação ao ano passado, comentou que, mesmo com bons resultados financeiros, "cautela nunca faz mal" no momento de crise. "As empresas que tiverem caixa robusto vão estar aptas para capturar as oportunidades que vão surgir, aquisições de novas fazendas, de alguma outra empresa", disse ele. Com muitos produtores agrícolas tendo problemas de crédito para plantar em suas áreas, segundo Moura, a companhia também vê oportunidades de ampliar os arrendamentos. "Compramos muita terra nos dois últimos anos... e temos recebido muitas ofertas de arrendamentos, de colegas produtores que não estão conseguindo fazer o plantio em função de problemas de crédito." INSUMOS NO TETO Para a safra 2008/09, que está sendo plantada, a empresa informou que todos os gastos já foram quitados, minimizando assim a alta nos preços nos insumos registrada nos últimos meses. E o diretor presidente da SCL aposta que os insumos, especialmente fertilizantes, que dobraram de preço em relação à safra passada, já atingiram o seu teto. Ele avalia ainda que, considerando que os fundamentos continuam firmes, os preços das commodities também encontraram um piso. "A China não vai abrir mão de uma dieta que conquistou, a concorrência de área no mundo continua grande, os estoques continuam baixos no mundo todo... Isso nos faz crer que os preços das commodities já chegaram no seu mínimo e que os preços de fertilizantes já chegaram no seu máximo", declarou Moura.

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