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Smartphone 'de montar' começa a virar realidade

Quebra-cabeça. Projeto de telefone durável criado com peças como as de Lego vai ser desenvolvido com apoio da Motorola; no mercado há dúvidas se modelo vai prosperar

Lígia Aguilhar, O Estado de S.Paulo

11 de novembro de 2013 | 02h09

Um projeto ousado do desenvolvedor holandês Dave Hakkens lançou há dois meses uma ideia revolucionária no mercado de smartphones: e se fosse possível comprar um celular que pode ser montado como um jogo da Lego, privilegiando os componentes que o consumidor preferir, como uma câmera melhor ou um processador mais ágil, e excluindo os que não têm tanta utilidade?

Sucesso nas redes sociais, o projeto chamado Phonebloks ganhou recentemente apoio da Motorola, que revelou estar trabalhando há um ano em um produto semelhante, batizado de Ara. Em conjunto com Hakkens, a empresa vai começar a desenvolver as peças do smartphone modular e ainda este ano vai enviar kits de desenvolvimento para startups, empresas e desenvolvedores criarem os protótipos dos primeiros blocos.

O principal apelo do projeto é viabilizar um celular capaz de durar a vida toda, no qual cada peça possa ser substituída sem a necessidade de se trocar o aparelho todo, reduzindo também o lixo eletrônico. A Motorola diz que o Ara pretende fazer pelo hardware o que o sistema Android fez para o software, criando um ecossistema de desenvolvimento aberto e inovador.

"Imagine um mundo em que você possa trocar uma câmera por outra sem comprar um celular novo? Isso economizaria muito dinheiro do usuário", disse ao Link o presidente global da Motorola, Dennis Woodside.

Inovação. Mas qual a viabilidade de colocar um smartphone modular de qualidade e preço acessível no mercado? Nem a Motorola nem o criador do projeto Phonebloks sabem responder essa questão e ainda não deram detalhes de como vão fazer o produto funcionar. Na internet, o assunto divide opiniões.

Para os desenvolvedores consultados pelo Link, o projeto é revolucionário, mas ainda precisa quebrar muitas barreiras para ser viável e não deve chegar ao mercado tão cedo. O desenvolvimento de produtos com esse grau de inovação demora, segundo eles, no mínimo três anos. O Google Glass, que deve chegar ao mercado no ano que vem, por exemplo, é um projeto do Google iniciado em 2006.

A própria Motorola admite que não será tão simples. "Ainda há muitas barreiras técnicas para quebrar e muitas inovações a fazer", afirmou Woodside, que diz ainda ser cedo para tirar quaisquer conclusões sobre o projeto.

Além da engenharia envolvida e da integração do aparelho com o sistema Android, outro desafio para a Motorola será fazer os demais fabricantes se unirem a ela, já que a ideia original prevê que o produto tenha uma base única na qual possam ser acopladas peças de diferentes fabricantes. "Se a Motorola define os módulos e interfaces, por que outros fabricantes iriam se unir a ela?", questiona Camila Rinaldi, gerente da versão brasileira da comunidade de desenvolvedores AndroidPIT. "Construir uma parte do hardware de um smartphone exige produção em massa. Caso contrário, os custos de fabricação dos módulos serão mais altos que construir um aparelho inteiro", diz.

Para o desenvolvedor Alexandre Antunes, administrador do fórum Android Brasil, a possibilidade de montar um aparelho com as melhores peças de cada fabricante seria a principal vantagem do produto, mas o tamanho pode ser um problema. "Os celulares são cada vez mais finos e menores, e para isso ser possível é necessário integrar todas as funções em uma placa só. Para separar tudo, será necessário ocupar mais espaço."

Sustentabilidade. Um dos pontos que mais têm apelo no projeto, porém, é sua lógica contrária à obsolescência programada. Kyle Wiens, um dos cofundadores do iFixit, site que ensina usuários a consertarem seus próprios eletrônicos, diz que a redução do lixo eletrônico que o telefone modular pode gerar se as peças usadas forem recicladas é significativa.

"Os smartphones atuais com bateria integrada são inaceitáveis, porque em média elas funcionam bem por 300 recargas e depois o consumidor precisa trocar o aparelho todo só por causa de uma peça ruim", diz. "Se os desenvolvedores conseguirem fazer um smartphone com apenas algumas peças modulares, como a bateria, já será algo fantástico."

O engenheiro Dan Zhang, PhD na Universidade de Austin, no Texas, que fez um estudo completo sobre o projeto publicado na revista Forbes, diz que os desafios são enormes, "mas que a ideia do Phonebloks é promissora o suficiente para valer a tentativa".

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