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Smartphone lidera vendas, mas plano de 4G patina

Venda de celular inteligente vai superar pela 1ª vez a dos convencionais, mas operadoras ainda têm dificuldade de oferecer nova tecnologia aos clientes

RODRIGO PETRY , O Estado de S.Paulo

14 de setembro de 2013 | 02h14

Os smartphones passarão a liderar as vendas de aparelhos celulares neste ano e uma boa parte dos dispositivos comercializados será compatível com a tecnologia de quarta geração (4G) já neste Natal. O mercado começou a receber não só aparelhos nas faixas mais altas de preços, mas também celulares com um custo mais acessível para os consumidores. Isso não significa, no entanto, uma alta adesão aos planos de dados 4G.

A tendência é de que os clientes sigam optando pelo serviço prestado em 3G, segundo especialistas. De acordo com a consultoria IDC, as vendas de smartphones vão superar este ano pela primeira vez às de aparelhos convencionais, dobrando o número de unidades comercializadas na comparação com 2012 para 32 milhões. Esse desempenho é extremamente influenciado pela desoneração de tributos federais sobre os preços dos smartphones.

"Esperávamos apenas para o quarto trimestre que os smartphones liderassem as vendas, mas isso já ocorreu no segundo trimestre", diz o analista da consultoria, Leonardo Munin.

Do total previsto de vendas de smartphones para 2013, 7% devem ser de modelos compatíveis com o 4G, de acordo com o levantamento da IDC.

Segundo Munin, a comercialização desses aparelhos está acima das estimativas iniciais, apesar de esse mercado ser considerado "novo e imaturo". "As operadoras querem que a transição do 3G para 4G aconteça e observamos os esforços delas no sentido de buscar esse cliente", acrescenta.

A maior barreira de entrada ao desenvolvimento do 4G, segundo especialistas, seria a falta de oferta e altos preços dos aparelhos: boa parte custa acima de R$ 1,5 mil. A expectativa é de que, até o fim do ano, novos dispositivos cheguem ao mercado com valores mais acessíveis.

Preços. "Já há diversas fabricantes incorporando em suas plataformas globais aparelhos com 4G na frequência brasileira", ressalta Thiago Moreira, diretor de Telecom da Nielsen.

A Apple, por exemplo, anunciou que o novo modelo de iPhone será compatível com o 4G no País.

Pesquisa da associação 4G Americas destaca que já existem 324 modelos de aparelhos de quarta geração que rodam na faixa de 2,5 giga-hertz, a mesma usada no Brasil. Essa categoria de celulares só perde para a que tem frequência de 700 MHz, com 435 modelos.

"O Brasil vai contribuir para o desenvolvimento do 4G no mundo", diz Erasmo Rojas, da 4G Americas.

Dados da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), compilados pela consultoria Teleco, destacam que, apenas em agosto, foram homologados mais sete telefones com 4G. No total, já são 24 dispositivos em comercialização no mercado brasileiro.

Desafios. Mesmo com uma oferta maior de aparelhos, isso não significa uma adesão aos planos. "As teles têm de trabalhar para apresentar aos clientes as vantagens do uso da rede de 4G", diz o líder da área de Telecomunicações da Deloitte, Marco Antônio Brandão. Segundo ele, isso deve passar por funções de vídeo e jogos, que poderiam ser pagas a parte.

Outro problema que afeta a adesão é a falta de cobertura. Munin, da IDC, ressalta que a infraestrutura ainda é "precária" no País, com uma cobertura de 4G restrita dentro das cidades que já contam com os serviços. "As pessoas até podem ter os aparelhos de quarta geração, mas isso não garante a migração para o plano", afirmou.

Moreira, da Nielsen, acrescenta que outra alternativa para as teles incentivarem a migração seria por meio da cobrança de planos com preços semelhantes ao do 3G, pelo menos nessa fase inicial. Segundo ele, além da ampliação da cobertura, isso ajudaria a desafogar a rede de terceira geração.

Para o fim deste ano, todas as sedes e subsedes da Copa do Mundo de 2014 devem contar com a rede de 4G, segundo as regras do leilão da Anatel. "Essas obrigações também devem ajudar na aceleração do 4G", observa Moreira.

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