Só 10% dos recursos do BNDES para exportação foram contratados

Apenas 10% dos US$ 2 bilhões do Programa BNDES-Exim Pré-embarque de Curto Prazo Especial foram desembolsados pelo banco até hoje. Os recursos - um mecanismo de emergência lançado pelo governo para compensar a escassez de crédito dos bancos privados internacionais às operações de comércio exterior brasileiras - foi colocado à disposição dos exportadores no dia 20 de agosto. Segundo Isac Zagury, vice-presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, 115 empresas receberam os US$ 200 milhões em créditos, com uma média de US$ 2,1 milhões por pedido. O teto estabelecido para cada empresa é de US$ 8 milhões.Para o diretor-executivo da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro, o início dos leilões do Banco Central, um meio mais rápido e, por vezes, mais barato de obtenção de crédito e a morosidade de alguns bancos em encaminhar os pedidos pode estar dificultando o acesso ao financiamento. Os recursos do BNDES não são liberados diretamente às empresas, mas por intermédio de agentes financeiros. Devido ao caráter emergencial do crédito, foi fixado o prazo máximo de cinco dias para o desembolso, a contar da data de entrega do formulário com o pedido.Grande parte dos recursos está sendo repassada a grandes empresas exportadoras, embora o estabelecimento de limite de crédito tenha tido como principal objetivo a pulverização do financiamento, para garantir o atendimento às pequenas e médias empresas, mais prejudicadas pela escassez de crédito privado."As pequenas empresas deverão ser as últimas a serem atendidas e isso, no mercado, é normal. Os bancos que atuam como agentes financeiros dão preferência às grandes empresas", comenta Castro. Ele não acredita num retorno do financiamento privado às exportações antes do resultado das eleições presidenciais, apesar dos esforços do ministro da Fazenda, Pedro Malan, e do presidente do BC, Armínio Fraga, em convencer os banqueiros internacionais.Nessa linha emergencial de curto prazo, o BNDES está financiando também operações de venda de commodities - que não constam, habitualmente, do seu rol de empréstimos. O crédito emergencial ficará disponível, em princípio, até meados de fevereiro. A participação do banco é de até 100% do valor FOB da exportação (Free on Board, na sigla em inglês) - valor da mercadoria sem impostos e fretes. O prazo para pagamento do empréstimo é de até 180 dias, a contar da data da contratação, e os encargos são os seguintes: Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP, atualmente de 10% ao ano) ou Libor semestral; spread (remuneração) do BNDES de 1% ao ano para as operações de micro, pequenas e médias empresas e 2,5% ao ano para as grandes empresas; e spread do agente de até 3%, para empresas de qualquer porte.

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