Ricardo Moraes/Reuters
Ricardo Moraes/Reuters

Só 36% das empresas terminaram 2020 nos escritórios, aponta KPMG

Com recrudescimento da pandemia de covid-19, poderão ocorrer novas rodadas de adiamentos de retorno; o presidente do Bradesco, Octavio de Lazari, disse que não vê a retomada do trabalho presencial tão cedo

Vinicius Neder, O Estado de S.Paulo

12 de março de 2021 | 05h00

RIO - Apenas 36% das grandes empresas brasileiras terminaram 2020 já de volta aos escritórios físicos, enquanto um pouco menos da metade (46%) previu, no fim do ano, voltar em algum momento de 2021, mostra uma pesquisa da consultoria da KPMG obtida com exclusividade pelo Estadão. Com o recrudescimento da pandemia de covid-19 neste início de ano, poderão ocorrer novas rodadas de adiamentos, repetindo o padrão de 2020.

No fim do ano, segundo o levantamento, apenas 7% dos 264 executivos e empresários de diversos setores da economia entrevistados responderam que as áreas administrativas das empresas voltariam aos escritórios no “próximo mês” ou “até dezembro” – a pesquisa foi feita em outubro e novembro.

Mesmo antes disso, ainda em novembro de 2020, companhias como Oi, Petrobrás, Itaú Unibanco e Dafiti já haviam anunciado que deixariam a volta para este ano. No início do mês passado, o presidente do Bradesco, Octavio de Lazari, afirmou que o banco não pretende retomar o trabalho físico das suas unidades corporativas tão cedo, porque a corporação está funcionando “muito bem” no formato atual, com 94% do pessoal em “home office”.

Setor público

Até no setor público a moda pegou. Como mostrou o Estadão no fim do mês passado, um em cada quatro servidores do Executivo federal terminou 2020 trabalhando em “home office” integral, conforme dados do Ministério da Economia. “As empresas estão aqui com uma previsão de retorno ao escritório ao longo de 2021. Muitos acabaram não retornando em 2020”, afirmou André Coutinho, sócio-líder de Advisory da KPMG no Brasil.

Desde o início da pandemia, à medida que a crise sanitária veio se prolongando, as empresas vêm adiando o retorno. Na primeira edição da pesquisa da KPMG, no bimestre abril-maio, 33% dos entrevistados disseram esperar a volta para “o próximo mês”, enquanto 35% apostavam numa volta “até dezembro” de 2020.

No início da pandemia, apenas 9% achavam que a volta aos escritórios se daria em 2021. A proporção de entrevistados citando essa resposta foi crescendo aos poucos ao longo da pandemia: 26%, na pesquisa de junho-julho, 38% na edição agosto-setembro, até os 46% de outubro-novembro.

Aprendizagem

Para Coutinho, ao longo da pandemia, as empresas aprenderam a trabalhar remotamente. Criaram protocolos, adaptaram os escritórios, que passaram a ser usados para “coisas muito importantes”, como reuniões maiores e assinaturas de contratos. Investiram em tecnologia, para melhorar, por exemplo, reuniões em que parte dos participantes está no escritório e outra parte está fora, trabalhando remotamente.

A Petrobrás, que anunciou a prorrogação do trabalho remoto até o próximo dia 31 ainda em novembro do ano passado, destacou aumentos de produtividade com os funcionários em casa, ao comentar os resultados financeiros de 2020, no fim do mês passado. A defesa do “home office” foi também uma resposta a críticas do presidente Jair Bolsonaro, que, pouco antes de anunciar sua substituição, reclamou do fato de o presidente da petroleira, Roberto Castello Branco, trabalhar de casa.

Mesmo com a adoção de protocolos, segundo o executivo da KPMG, poucas empresas tomaram a decisão firme de voltar totalmente aos escritórios. 

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