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Só a conta de luz é mais importante que o crediário para consumidor

Pesquisa mostra que famílias de baixa renda pagam primeiro o carnê da financeira e, depois, água e aluguel

Lu Aiko Otta, O Estadao de S.Paulo

07 de setembro de 2017 | 00h00

Na euforia do consumo via crediário que tomou conta do País, o brasileiro anda tão endividado que o pagamento da prestação é o segundo item entre as prioridades das famílias das classes C, D e E. O crediário só perde em importância para a conta de luz. Segundo levantamento feito pelo Instituto de Pesquisa Fractal, manter as prestações em dia é considerado mais importante do que pagar a conta de água ou o aluguel.A pedido de um grupo de bancos e financeiras, os pesquisadores ouviram 4 mil pessoas no início de 2007 e entregaram os resultados do Painel da Indústria Financeira em meados do ano.Segundo o diretor-presidente da Fractal, Celso Grisi, que é professor na Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo (FEA/USP), as famílias de menor renda se esforçam para manter o carnê em dia porque não querem perder a possibilidade de comprar bens a prestação. Elas usam o crédito das financeiras, mesmo sendo o dinheiro mais caros.O juro cobrado nesses financiamentos é muito elevado. A pesquisa mensal do Banco Central mostra que há linhas de crédito que custam até 20,78% ao mês. O juro é alto, mas o consumidor observa apenas o tamanho da prestação. A mesma pesquisa constatou que 74,5% das pessoas das classes C, D e E desconhecem as taxas de juros que pagam. Esse crédito mais caro é usado, segundo a pesquisa, para comprar eletrodomésticos, eletroeletrônicos e utilidades para o lar em primeiro lugar. Depois, roupas e alimentos, seguidos por veículos e casa própria.O professor frisou que os juros são elevados porque nas operações com clientes de baixa renda o risco de a instituição financeira receber com atraso ou não receber é alto. ''''É uma operação perigosa'''', disse, ao informar que a taxa de inadimplência nesses financiamentos é de 32% e o de insolvência, o calote mesmo, de 6%. Os empréstimos ainda são onerados pelo alto custo operacional em relação ao valor emprestado.Por outro lado, essa modalidade de financiamento é a mais fácil de ser usada pelas famílias de renda mais baixa. Muitos empréstimos de financeiras são concedidos sem comprovação de renda. Para alguns tomadores, é o único crédito disponível na praça. ''''Quem forma o absurdo das taxas não são as financeiras, é o governo brasileiro, que coloca as taxas de juro lá em cima'''', disse o professor.Ele observou que as despesas do governo subiram do equivalente a 15% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2003 para 18% do PIB atualmente, agravando o desequilíbrio que transforma o governo no maior tomador de crédito no País. ''''A despesa tem crescido de maneira injusta'''', afirmou.A partir da pesquisa, Grisi fez duas recomendações: não tomar empréstimos em que o pagamento final seja mais do que 2,5 vezes o valor do bem. E evitar se endividar para compras supérfluas. Casa própria e veículos estão fora dessa lista.CONSIGNADO E CARROSEmbora amplamente utilizados pelas classes C, D e E, os empréstimos de financeiras não são os principais impulsionadores do aumento do volume de crédito. A explicação é do economista Denis Blum, da Tendências Consultoria Integrada.''''O crédito à pessoa física tem dois grandes motores: o consignado e a aquisição de veículos.'''' Nos dois casos, os juros são mais baixos que os das financeiras. Ele informou que, nos últimos 12 meses, empréstimos consignados cresceram 34,7%, enquanto empréstimos pessoais não consignados (onde se enquadram os das financeiras) aumentaram 4,6% e de automóveis, 20%.Também em volume, as formas mais baratas de crédito são maiores. O estoque de consignados está em R$ 60 bilhões, ante R$ 72 bilhões em financiamentos de automóveis e R$ 35 bilhões do crédito pessoal que não é consignado.O QUE FAZER Cadastro de Emitentes de Cheques sem Fundos (CCF) do Banco Central: ocorre quando o cheque do correntista é devolvido duas vezes por falta de fundos. A primeira coisa a fazer é procurar a agência do banco que apresentou a ocorrência e solicitar informações sobre o número, o valor e a data do cheque. Depois, procurar a pessoa/empresa para quem foi emitido o cheque, regularizar o débito e recuperar o cheque. De posse dele, vá ao seu banco e prepare uma carta, junte o original recuperado e recolha as taxas de devolução do cheque. Entregue tudo ao banco, com protocolo. Peça ainda a comunicação da regularização ao Banco do Brasil, encarregado de atualizar o arquivo de CCF.Título protestado: ocorre quando o consumidor deixa de pagar dívida e o credor protesta o débito em cartório. Dirija-se ao cartório que registrou o protesto e solicite os dados de quem o protestou. Regularize o débito com o credor e peça uma carta atestando que a dívida foi quitada. Reconheça a firma da pessoa/empresa, retorne ao cartório e peça o cancelamento do protesto.Dívida vencida: o consumidor com dívida existente e vencida, ao ter seus dados cadastrados em lista de devedores, será comunicado via correio, com a identificação da empresa/instituição credora. Procure-a e faça o acerto.

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