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Coluna

Thiago de Aragão: China traça 6 estratégias para pós-covid que afetam EUA e Brasil

Só a digitalização pode salvar a economia da covid-19

É isso que vai salvar a economia do colapso e, ao mesmo tempo, preservar vidas

Fred Trajano*, O Estado de S.Paulo

10 de junho de 2020 | 04h00

Não há escolha impossível a ser feita numa sociedade digital: pessoas e PIB são preservados. A pandemia de covid-19 deixou o mundo de joelhos. Milhões de contaminados. Quase 400 mil mortos. E uma economia que cambaleia enquanto a solução definitiva – a vacina – não aparece. No Brasil, já há estimativas de queda do PIB de 8% em 2020. Milhares de empresas e empregos desaparecerão. Das cinzas, surgirá um país ainda mais empobrecido e desigual.

Mas não precisa ser assim. E não estou falando em escolher entre a saúde das pessoas e a da economia. Esse é um dilema inexistente quando a melhor solução disponível é adotada: tecnologia, a “fórmula mágica” para resolver uma equação que, para muitos, é insolúvel. O Brasil precisa se transformar – rapidamente – num país digital. É isso que vai salvar a economia do colapso e, ao mesmo tempo, preservar vidas.

Temos os pilares para criar uma sociedade que conecte governo, cidadãos, empresas e consumidores. Há cerca de 230 milhões de smartphones em uso no Brasil e cerca de 80% das casas têm internet. O brasileiro é um dos recordistas mundiais em navegação nas redes sociais. Milhões com internet nas mãos: essa é a base da digitalização. E ela está pronta.

O desafio é fazer com que o brasileiro transacione digitalmente – vendendo e comprando, oferecendo e consumindo. É um caminho trilhado por vários países. A Estônia é hoje a referência, com sua excepcional plataforma de e-gov. Apenas três serviços públicos exigem a presença física: casamento, divórcio e transferência de imóveis. Sim. A Estônia é um país pequeno. Tem 1,3 milhão de habitantes, o que facilita as coisas. Mas o que dizer da China, com seus mais de 1,4 bilhão de habitantes? Graças ao investimento brutal em digitalização, a gigantesca economia chinesa já começa a mostrar sinais de recuperação.

No Brasil, precisaremos de senso de urgência para garantir uma recuperação econômica em V e evitar uma dolorosa volta em U. O Brasil S.A. é analógico – por desconhecimento ou medo de mudar. A transformação, porém, é vital.

Restaurantes não precisam desaparecer porque suas mesas estão vazias. Pedidos digitais e serviços de entrega estão salvando vários deles. Quem disse que todas as aulas precisam ser presenciais? Temos, agora, 50 milhões de crianças e adolescentes aprendendo em suas casas. Com a telemedicina, médicos continuam a atender muitos de seus pacientes. 

Existem 5 milhões de empresas varejistas no Brasil – a maioria delas, muito pequenas. Dessas, 50 mil usam a internet para fazer negócios. É quase nada. Mas a pandemia está empurrando os analógicos para a transformação digital. A boa notícia é que empreendedores, sem recursos ou conhecimento para investir em tecnologia, não estão sozinhos. O País já possui ecossistemas de negócios, nos quais eles são muito bem-vindos.

Estou à frente de uma companhia cujo propósito é contribuir para digitalizar o Brasil por meio da inclusão de empreendedores no nosso ecossistema digital. Ao fechar as portas e sufocar milhares de pequenas empresas, a pandemia tornou essa bandeira ainda mais importante. Em março, quando a crise mostrou sua dimensão real, lançamos um programa que permite que microempreendedores coloquem seus estoques nos nossos canais digitais e vendam para nossos milhões de clientes. Em apenas 60 dias, 20 mil deles voltaram a respirar. 

A tecnologia que transforma e fortalece empresas, pode fazer o mesmo com o País. Não estamos fadados a escolher entre duas catástrofes: a sanitária e a econômica. Ao colocar o Brasil no século 21 com a digitalização estaremos livres de fazer uma opção desnecessária.

*PRESIDENTE DO MAGALU

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