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'Só baleia nasce grande', diz ministro

Porte médio das empresas que se uniram para arrematar a BR-050 não causa receio

LU AIKO OTTA, LAÍS ALEGRETTI / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

19 de setembro de 2013 | 02h18

O governo tentou minimizar ontem o "risco-bagrinho", depois que o Consórcio Planalto, formado por empresas de médio porte, arrematou a concessão da rodovia BR-050. "Não podemos discriminar só porque são empresas médias", disse o ministro dos Transportes, César Borges. "Ninguém nasce grande, só elefante e baleia."

Segundo informações da área técnica do ministério, as empresas que fazem parte do consórcio já fizeram obras do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit). Algumas atuaram em obras públicas como subcontratadas das grandes construtoras, que detinham o contrato. Por isso, a duplicação da BR-050 não seria um mistério para elas.

Além do mais, observou Borges, a obra que elas terão de fazer não é complexa, nem muito grande, o que aumenta as chances de uma boa execução.

Ele comentou também que o edital fez exigências de garantias justamente para se assegurar da solidez financeira do grupo e de sua condição de realizar o prometido. "Se elas estão qualificadas, estão qualificadas", disse. "Temos de confiar que elas vão executar."

A tranquilidade de Borges é compartilhada por outras áreas do governo, como o Palácio do Planalto e o Ministério da Fazenda. A avaliação é que não há similaridade entre o resultado desse leilão e o dos aeroportos de Guarulhos, Viracopos e Brasília, que também foram arrematados por empresas sem tradição, fato que gerou preocupação no governo.

A comparação não é válida, observam interlocutores da presidente Dilma, porque nos aeroportos o que se buscou foi um operador, que desempenharia tarefas mais complexas. A duplicação e operação de rodovia é vista como algo mais simples.

Deságio. Ao comentarem o leilão da BR-050, outros ministros do governo Dilma comemoraram o resultado, mas lembraram que será necessário fazer ajustes para aumentar o interesse do setor privado em alguns trechos do pacote de concessões. Os ministros da Fazenda, Guido Mantega, do Desenvolvimento, Fernando Pimentel, e a ministra-chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, destacaram o porcentual de deságio do leilão da primeira rodovia como sinal de que a rentabilidade do empreendimento era mais atrativa do que se imaginava.

"O nível dos deságios demonstra interesse do mercado em relação à BR-050, mostrando que é uma rodovia competitiva para investimentos e também apresentando à sociedade o resultado de um pedágio que avaliamos justo, equilibrado", disse Gleisi. Pimentel classificou como "um sucesso grande" o deságio "de quase 50%".

"O deságio obtido mostra que o empreendimento é rentável, lucrativo, a ponto de você dar um deságio e continuar a ter vantagem", afirmou Mantega. Gleisi disse que o modelo apresentado para as concessões de rodovia se mostrou adequado no resultado divulgado ontem.

Mantega afirmou que, a partir desse leilão, o governo vai remodelar propostas para outras rodovias, como a própria BR-262, que foi ofertada junto com a BR-050, mas não teve interessado algum. "Nós vamos aumentar a atratividade daquelas que, sei lá, têm um pedágio mais alto e um volume de passageiros menor", disse.

Mantega completou dizendo que o governo tem um conjunto atrativo de rodovias, como BR-060, BR-050, BR-040 e BR-163. "As outras são um pouco menos e vamos remodelar de modo que tenham grande interesse e possamos ter forte competição e novos deságios."

O governo federal quer recolocar a BR-262 em processo de licitação, segundo Gleisi. "Vamos ouvir todos os setores, todo o mercado." / COLABORARAM SANDRA MANFRINI E TANIA MONTEIRO

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