''Só BNDES não garante o plano''

Burocracia emperra crédito, diz Romi

Marcelo Rehder, O Estadao de S.Paulo

14 de maio de 2008 | 00h00

Líder em vendas de máquinas-ferramentas (tornos e centros de usinagem) no País, a Romi vê com reservas a principal medida do pacote de política industrial relacionada ao setor, que é o aumento do prazo de financiamento para aquisição de bens de capital, de cinco para dez anos. Embora o alongamento seja muito bem-vindo, a questão agora é tornar viáveis as operações com esse horizonte, uma vez que serão feitas por bancos repassadores de recursos do Finame Automático, que podem impor exigências à maioria dos tomadores."As operações do Finame não dependem apenas da decisão do BNDES de aumentar os prazos, mas principalmente da decisão do agente financeiro de considerá-los viáveis e interessantes", disse Hermes Lago, diretor de comercialização de máquinas-ferramentas da Romi.Segundo ele, as restrições dos bancos já têm sido um enorme empecilho para obtenção de crédito do Finame por pequenas e médias empresas, que são maioria no País. Tanto é que o Finame Automático hoje é responsável por só 20% das vendas da Romi. A grande maioria é feita por meio de linha de crédito chamada Finame Fabricante, cujo prazo não foi alterado."Como o banco é o responsável pela aprovação do crédito, e também por uma eventual inadimplência do tomador, se cerca de todos os cuidados na análise de risco da operação", observou o executivo. "Evidentemente, quanto maior for o prazo, maior será o nível de exigência de garantias."Para Lago, os incentivos para que as pequenas, médias e microempresas cresçam e se qualifiquem para serem exportadoras estão entre as medidas que deverão ter impacto mais intenso nos negócios do setor. "Em qualquer setor, e o nosso não é diferente, a base da pirâmide são os pequenos e médios clientes, cujo somatório dá volume ao negócio", argumentou o diretor da Romi.

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