Só capital externo não resolve setor elétrico, diz Pinguelli

O presidente da Eletrobrás, Luiz Pinguelli Rosa, entrevistado no programa Roda Viva, da TV Cultura, considerou uma ilusão a crença de que o capital externo, por sí só, ajudará o País a resolver os problemas enfrentados pelo setor elétrico, especialmente na construção de usinas geradoras e de linhas de transmissão. E foi além: disse não ser possível garantir a remuneração, em dólar, dos investidores externos, em razão da baixa renda da população, que recebe em reais. "Para ele, é um equívoco ter a expectativa de que o investidor de fora do País vá resolver os problemas do setor elétrico. "Isso é de uma ingenuidade total. Ele (o investidor externo) terá um papel, e indispensável. Não há como somar o valor necessário, mesmo modesto."Segundo Pinguelli Rosa, a Eletrobrás está investindo este ano 3,5 bilhões de reais. O que é pouco, conforme explicou, mas que foi exigido da empresa como sua contribuição para o superávit primário. Insistiu na importância do marco regulatório (para atrair os investidores), com regras mais claras e com um modelo operacional mais eficaz. E ressaltou que o Brasil é um país hidrelétrico, e por muito tempo continuará sendo. "Portanto, qualquer que seja a solução - a opção é aberta, mesmo que a gente comece a fazer termoelétricas, ou outra forma de energia, hoje -, por muito tempo ainda será predominantemente hidrelétrico?. De acordo com ele, isso dá características especiais ao País, que exige um regime cooperativo, que hoje é bem representado pelo Operador Nacional de Sistemas, que foi feito contra o relatório da Cooper´s Librand, quando se modelou a privatização da geração. Segundo disse, o ONS, da maneira que opera hoje, é o oposto daquilo que foi pensado, que era o modelo inglês, feito para um país termoelétrico. "Esses equívocos permanecem. Então, não basta não-privatizar. É preciso ter um modelo coerente, que leve em conta que somos um país pobre."

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