Só cheque especial escapa da alta de juros

Com exceção das taxas de juros do cheque especial, todas as demais taxas cobradas de empresas e consumidores subiram no mês passado, quando o Comitê de Política Monetária (Copom) interrompeu a trajetória de corte da Selic. Segundo a Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), a taxa média para pessoas físicas subiu de 7,75% para 7,92% ao mês. Para as empresas, essa média passou de 4,4% para 4,6%."Essa subida de juros reflete totalmente a posição conservadora do Copom num momento em que todo o mercado esperava um corte na taxa básica", diz o presidente da Anefac, Miguel Ribeiro de Oliveira. Para ele, esse movimento não tem uma justificativa técnica. "A manutenção da taxa (em 16,5% ao ano) e depois, a divulgação de nota mostrando preocupação com a inflação, tiveram impacto nas expectativas, o que levou o mercado a aumentar os juros, antecipando-se a uma eventual mexida do governo."Nas operações para a pessoa física, o maior aumento detectado pela pesquisa da Anefac foi nos juros do crédito direto ao consumidor (CDC) oferecido pelos bancos, cuja taxa média subiu de 3,39% ao mês, em dezembro, para 3,59% em janeiro, uma elevação de 5,90%. Com isso, a taxa chegou a 52,90% ao ano. No empréstimo pessoal, a taxa média cobrada pelas financeiras aumentou 5,52% e passou de 12,14% para 12,81% ao mês. Nos bancos a taxa de empréstimo pessoal subiu de 5,86% para 6,09%, o equivalente a 103,28% ao ano. No comércio, a taxa média aumentou de 6,14% para 6,16% ao mês. A taxa anual atingiu 104,89%. A taxa média cobrada no cartão de crédito subiu de 10,35% para 10,36% ao mês, o que corresponde a 226,39% ao ano.Já no cheque especial, a taxa cobrada de pessoas físicas foi reduzida de 8,64% para 8,51% ao mês (225,39% ao ano). "A margem de ganho dos bancos nessa modalidade permite continuar reduzindo as taxas, independentemente da queda da Selic", observa Oliveira. Para as empresas, a taxa média mensal para capital de giro subiu de 4,05% para 4,26%. Nas operações de desconto de duplicatas, a taxa passou de 4,09% para 4,23% ao mês, ou 64,40% ao ano. Para o desconto de cheques, os juros subiram de 4,02% para 4,19%. No cheque especial para pessoas jurídicas, o juro mensal subiu de 5,45% para 5,71%, o equivalente a 94,71% ao ano.

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