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Só com vontade política é possível acabar com crise, diz Lula

Na Itália, presidente diz que sistema financeiro mundial deve ser transparente e imune ao capital especulativo

LEONENCIO NOSSA, ENVIADO ESPECIAL, Agencia Estado

10 de novembro de 2008 | 11h14

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta segunda-feira, 10, que os países precisam construir um sistema financeiro mais transparente e imune ao capital especulativo. Em discurso no Palácio Quirinale, em Roma, onde foi recebido pelo presidente italiano Giorgio Napolitano, ele afirmou que só com vontade política é possível acabar com a crise financeira mundial. "Os governantes precisam entender que precisamos ouvir menos analistas de mercado e mais analistas de problemas sociais, de desenvolvimento e que conhecem as pessoas", disse. Sob o olhar de Napolitano, um ex-comunista, que demonstrou surpresa e satisfação com a parte de improviso do discurso, Lula disse que os países em desenvolvimento precisam ser mais ouvidos nos fóruns internacionais. "Penso que essa crise é uma oportunidade extraordinária para fazermos uma reflexão de tudo que fizemos de errado a partir do Consenso de Washington e criarmos outro consenso em que o ser humano, o trabalhador, a produção industrial e a produção científica e tecnológica sejam a razão de ser da economia e não a especulação financeira", disse.   Veja também: Necessidade de plano anticrise não é clara, diz Meirelles Saiba os assuntos que serão discutidos no G-20 De olho nos sintomas da crise econômica  Lições de 29 Como o mundo reage à crise  Entenda a disparada do dólar e seus efeitos Especialistas dão dicas de como agir no meio da crise Dicionário da crise Em seu discurso, o presidente brasileiro disse que Brasil e Itália têm histórias e culturas que se entrelaçam. "Nossos povos se admiram", afirmou. "Nos reconhecemos uns nos outros e não poderia ser diferente, pois temos hoje no Brasil mais de 30 milhões de descendentes de italianos", completou. Lula ressaltou ainda que o intercâmbio comercial entre os dois países chega a US$ 8 bilhões anualmente.Giorgio Napolitano, em discurso feito anteriormente, também lembrou da importância dos italianos na formação e desenvolvimento do Brasil e destacou a importância do Brasil no atual contexto. "O Brasil é um protagonista influente nas relações internacionais", afirmou. "Neste momento de crise, o Brasil é um dos principais países emergentes, um baricentro das decisões", disse.O presidente italiano disse que, no encontro de governantes em Washington, no próximo final de semana, para discutir a crise financeira, o Brasil poderá dar uma grande contribuição para encontrar novas regras. "Concordo com o presidente Lula de que é preciso encontrar uma estabilidade no mercado e resolver os problemas", disse. Ele ainda ressaltou que o Brasil, por ter um importante papel na estabilidade econômica e política na América Latina, pode ajudar a intensificar as relações entre a União Européia e a região.

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