Só duas empresas fecham acordo com a Bolívia

A francesa Total e a americana Vintage foram as únicas empresas a aceitar, até agora, os novos contratos de concessão propostos pelo governo boliviano. Em cerimônia realizada na noite desta sexta-feira, o presidente Evo Morales comemorou a adesão das empresas como sinal de que finalmente vai consolidar o processo de nacionalização das reservas de petróleo e gás iniciado em maio de 2005.A expectativa é de que todas fechem o acordo, mesmo que deixem para discutir pontos mais sensíveis depois da assinatura de um contrato genérico. A ação da Petrobras, no entanto, ainda é uma incógnita. A companhia não comenta oficialmente o andamento das negociações, mas notícias extra-oficiais apontam que há grande dificuldade em um consenso sobre a remuneração da estatal brasileira, operadora dos dois maiores campos de gás do país.Nesta sexta, o gerente geral da Petrobras para o Cone Sul, Décio Odone, esteve por pelo menos duas ocasiões na sede da estatal boliviana YPFB, transformada em quartel-general dos negociadores. Nas duas vezes, Odone evitou falar com a imprensa, repetindo diversas vezes que não faria comentários. No Brasil, fontes oficiais ressaltaram que esperam um bom resultado das negociações, mas a empresa irá a arbitragem internacional caso tenha prejuízos.No início da tarde, o governo boliviano convocou a imprensa e grupos sociais para um evento às 20 horas, em La Paz (21 horas de Brasília) "a respeito dos novos contratos". Maiores detalhes foram omitidos, o que alimentou especulações sobre que empresas assinariam os contratos. Fontes do mercado chegaram a afirmar que a Petrobras seria a única a ficar de fora. De fato, observadores próximos indicam que gigantes mundiais como a britânica BG estão próximas de um acordo.A expectativa do governo boliviano era fazer um evento com mais companhias. No meio da tarde, a assessoria da presidência informou que a presença de Morales só seria confirmada após a conclusão de algumas reuniões. O objetivo do presidente era prestar contas à população sobre o processo de nacionalização, que já gera resultados financeiros, mas ainda não transferiu à YPFB a propriedade dos poços de petróleo.Na prática, porém, o anúncio foi feito com duas companhias que têm pequenas operações na Bolívia. A Total é sócia da Petrobras nos campos gigantes de San Alberto e San Antonio, mas opera só o campo de Itaú, que ainda não entrou em produção. O contrato assinado nesta sexta, cujos detalhes não haviam sido revelados até as 23h, refere-se apenas a Itaú. As negociações sobre San Alberto e San Antonio são capitaneadas pela Petrobras, operadora dos campos.A Vintage é operadora de quatro campos. Em outubro de 2005, último dado oficial do governo boliviano, produziu cerca de 500 mil metros cúbicos de gás natural e 223 barris de petróleo por dia. Sua produção de gás, portanto, é equivalente a apenas 1,9% do volume exportado diariamente ao Brasil atualmente. Em seu discurso, segundo a Agência Boliviana de Informações, Evo Morales repetiu que a Bolívia quer sócios e não patrões e os novos contratos mostravam isso.O modelo, no entanto, é criticado por empresas privadas, que não querem se tornar apenas operadoras de poços, como prevêem os contratos de prestação de serviços propostos.De qualquer maneira, a expectativa é de que as companhias assinem os contratos, deixando pontos polêmicos para depois. Segundo analistas, nenhuma delas vai abrir mão de suas reservas no país, pois isso causaria um grande impacto contábil. Por isso, as negociações devem prosseguir durante o sábado, à espera de novos acordos antes do fim do prazo. Segundo o decreto de nacionalização, quem não se adequar às novas regras, será expulso do país.Matéria ampliada às 23h20

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