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Só emprego afasta a recessão

O expressivo aumento do desemprego nos Estados Unidos em novembro, 533 mil, e a admissão agora oficial, da Casa Branca, de que o país está em recessão deveriam levar Bush a se conscientizar de que seu governo acabou antes de terminar. Perdeu a luta contra a recessão. Seu dever agora é criar condições para que seu sucessor possa enfrentá-la, ajudá-lo, e não provocando atrasos.Como? Trazendo para a Casa Branca toda a equipe econômica de Obama e nomeando, já, o seu novo secretário do Tesouro para substituir Paulson, cuja equipe ficaria assessorando-o até mesmo depois da posse. Não é normal, mas a deterioração econômica assim exige. É o que Krugman e muitos outros economistas estão propondo com insistência, agora, e o que a coluna sugeriu no dia seguinte à vitória de Obama. O novo presidente já anunciou sua equipe econômica e seu plano de criar 2,5 milhões de empregos para recuperar a economia. Esses números mostram "uma situação dramática que pode piorar antes de melhorar". É preciso agir imediatamente, para atenuar os efeitos da recessão. Em vão. Bush até agora não teve a humildade de admitir os erros de sua equipe econômica nem se conscientizou de sua responsabilidade perante o mundo, que jogou nessa recessão. O aumento espantoso do desemprego é grave, porque a história mostra que, ao chegar aos níveis atuais, o desemprego se auto-alimenta por longo tempo.É O QUE NOS ESPERA?Até agora, não, mas o risco existe e não é nada desprezível. Está aí, insinuante, batendo à porta, à espera que ninguém o ouça,em Brasília. O governo se diz preparado, tem um plano, mas está deixando na sociedade a sensação de que ainda não é a hora de agir. Só que essa hora já está passando. É o que dizem os últimos indicadores econômicos de produção agrícola e industrial, de exportação, importação, de vendas de bens duráveis e até mesmo de consumo, nos quais as ofertas generosas revelam uma situação de mercado anormal. AS ETAPAS DA CONTAMINAÇÃOEsclareço. A contaminação da economia real se faz em três etapas: redução do crédito à produção, principalmente industrial; ao comércio; e finalmente ao consumo. Isso completa um quadro desaceleração do consumo interno. Pouco se sente agora, porque ainda não chegamos inteiramente a essa etapa que apenas se começa a sentir agora, num véu disfarçado pelo 13º salário. Estamos na restrição de financiamento à produção, com juros mais elevados, que provoca desemprego, com seus efeitos sobre a renda, a demanda, a economia. E é aí que se começa a vislumbrar o fantasma da recessão. Quando se completar essa etapa, aí, sim, a economia real vai ressentir-se, vislumbrando o fantasma de recessão que ainda pode ser exorcizado com investimentos, financiamentos, criação de empregos e estímulo ao consumo.É grave confundir essas etapas. O que está acontecendo nos Estados Unidos e na Europa confirma isso.O DILEMA DE LULASabem, meus amigos, estou começando a ficar com pena do nosso presidente. Vejo-o confuso,tentando passar mensagem otimista quando todos no seu governo fazem malabarismos verbais para não transparecer pessimismo.Lula não achou ainda o meio termo. Ele sabe o que vê, mas não como dizer ao público, sem assustá-lo. Mas é preciso que encontre o termo logo, porque o povo aprendeu a ouvi-lo e a confiar nele.Senão, vejamos. Ele está num dilema. Não quer que as pessoas reduzam suas compras, quer que continuem consumindo, mas não entendeu bem que elas só o ouvirão e comprarão mais se tiverem confiança na estabilidade dos empregos. E só o governo pode inspirar essa confiança.Como? Em vez de ficar falando "vamos fazer" e "estamos estudando planos" - os ministros Dilma e Mantega são mestres nisso, com ela se desdizendo a cada dia... -, que os anuncie logo. Ou não fale mais nada. Um erro crasso de comunicação foi a ministra ter falado em mais R$ 1,1 trilhão nas obras do PAC até 2010, quando se sabe que nessa bóia furada de salvação só foram liberados R$ 9 bilhões. Nesta era da internet e com a imprensa dinâmica que temos, é mais difícil enganar o povo, mais bem informado. Quando falarem em investir R$ 1 trilhão, têm de dizer de onde vem o dinheiro para serem acreditados.MAS É CEDO PARA AGIR? Aqui o grande risco, o de o governo pensar que pode esperar porque a crise ainda não se instalou inteiramente. Já vimos que a terceira etapa, a que atinge realmente o consumidor, é uma das últimas, mas chega velozmente com estragos terríveis. É um erro gravíssimo esperar para agir quando uma recessão se anuncia.É esta a hora de criar empregos de qualquer forma e a qualquer custo, atraindo o setor privado nacional e estrangeiro que ainda confia no Brasil. E os investidores externos tanto confiam que estão trazendo mais de US$ 30 bilhões, só neste ano, para o Brasil.

Alberto Tamer, e-mail: at@attglobal.net, O Estadao de S.Paulo

06 de dezembro de 2008 | 00h00

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