'Só levamos quando aparece uma promoção'

A dona de casa Maria Rute Ganem diz que as pessoas não vão mais ao supermercado com lista, mas em busca de ofertas

ANNA CAROLINA PAPP , O Estado de S.Paulo

21 de junho de 2014 | 02h03

Em seu trabalho num mercado atacadista, Francileide Dantas, de 43 anos, convive diariamente com o aumento de preços que tanto questiona. "Os preços subiram demais, principalmente dos alimentos, como verduras", diz a auxiliar de farmácia por profissão.

Para driblar a inflação, Francileide teve que diminuir as compras no mês - o que, no entanto, não significou um grande alívio no orçamento. "Ia à feira duas vezes por semana e agora só vou uma, mas acabo gastando mais para comprar menos coisas", diz.

Além de comprar menos, ela espera equilibrar os gastos da família com um segundo emprego. Para isso, faz um curso para ser massoterapeuta técnica. "Fico livre para montar um negócio próprio com poucos recursos, pois o meu salário atual é muito baixo pelo tanto de horas trabalhadas", diz.

Mesmo com os esforços, Francileide e seu marido, aposentado, cansaram do alto custo de vida da cidade grande. "Temos uma casa no sul de Minas Gerais e vamos mudar para lá até o fim do ano", conta. "Lá poderemos viver muito melhor com menos."

A dona de casa Maria Rute Ganem, de 56 anos, também reclamou da alta de preços nos alimentos. "Estou comprando brócolis, espinafre e couve-flor", diz. Para ela, antes as pessoas vinham ao supermercado com uma lista pronta de coisas a comprar, mas agora vêm à procura de boas ofertas para então decidir o que levar. "Ficamos de olho e certas coisas só levamos quando aparece uma promoção ou um bom preço", diz ela, segurando um cobertor cujo preço achou atrativo.

Inflação. "A inflação vem impactando a decisão de compra do consumidor", afirma o gerente do departamento econômico e de pesquisas da Associação Paulista de Supermercados (Apas), Rodrigo Mariano. De janeiro a maio, as vendas nos supermercados do Estado de São Paulo cresceram 5,11% em relação ao ano passado, descontada a inflação do período. "Estaríamos melhor se a inflação estivesse num patamar menor", diz Mariano.

De toda forma, ele observa que sondagens preliminares mostram queda nos preços de alguns itens importantes na cesta de alimentos, como feijão e leite, de maio para junho.

Para este ano, a Apas projeta crescimento real de 5,5% nas vendas dos supermercados paulistas, praticamente a mesma taxa de crescimento registrada no ano passado (5,4%), depois de descontada a inflação. Mariano acredita que os negócios vão melhorar este mês e também no último bimestre de 2014./COLABOROU MÁRCIA DE CHIARA

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