Só o Brasil elevou os preços dos combustíveis na AL, diz AIE

Agência analisa estratégias de países que não são da OCDE para lidar com alta nos preços da commodity

Daniela Milanese, da Agência Estado,

10 de junho de 2008 | 09h31

O Brasil foi o único país da América Latina que reajustou os preços internos dos combustíveis diante da disparada do petróleo, aponta a Agência Internacional de Energia (AIE), em relatório desta terça-feira, 10. As demais nações optaram por elevar ou manter os subsídios. A agência analisou as estratégias adotadas pelos países que não fazem parte da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) para lidar com o atual ambiente de cotações elevadas da commodity. A entidade lembrou que no início de maio a Petrobras anunciou um reajuste de 10% para a gasolina e de 15% para o diesel, o primeiro aumento desde 2005. "Preocupado com as pressões inflacionárias, o governo reduziu o imposto sobre a gasolina para manter o preço na bomba", diz a AIE. "No entanto, no caso do diesel a redução foi marginal e os preços no varejo subiram 9%." Segundo a AIE, além da mudança fiscal, os carros bicombustíveis também contribuem para segurar a gasolina. "Os motoristas podem simplesmente mudar para o etanol mais barato se a gasolina ficar mais cara." Nos demais países da América Latina, a situação é diferente. O Chile adicionou recentemente mais US$ 1 bilhão ao seu fundo de estabilização dos combustíveis, que tem como objetivo amortecer as flutuações. Conforme a agência, o objetivo do governo chileno é executar uma redução de preços de 10%. Além disso, o imposto sobre o diesel será reduzido em 80% entre 1º de julho deste ano e 30 de junho de 2009. Na Colômbia, o governo adiou planos de eliminar subsídios, num esforço para manter a inflação sob controle. No entanto, para reduzir o impacto fiscal, as empresas do setor terão de fazer uma "contribuição adicional", que ainda será definida. Conforme a AIE, três países permanecem relutantes em remover seus regimes de administração de preços: Argentina, México e Venezuela. Para a agência, o México e a Venezuela podem suportar a manutenção dos subsídios devido as suas posições de exportadores da commodity. Mas, a AIE avalia que o custo dessa política é elevado: representa 2% do PIB mexicano e 7% do venezuelano. No caso da Argentina, a entidade nota que o país está se deparando com desabastecimentos constantes, já que as empresa privadas estão relutantes em abastecer o mercado doméstico. Na Ásia, os países estão reajustando fortemente os combustíveis, em meio à disparada do petróleo no mercado internacional, aponta a AIE. Recentemente, a gasolina subiu 41% na Malásia, 33% na Indonésia, 31% no Sri Lanka e a estatal de Bangladesh propôs reajuste entre 37% e 80%, que ainda será definido pelo governo. A exceção é a Tailândia, que reintroduziu os subsídios em meados de março.

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