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Só Petrobras não acatou nacionalização, critica Bolívia

A Petrobras foi a única multinacional afetada pela nacionalização dos hidrocarbonetos (gás e petróleo) na Bolívia que "não acatou" essa decisão do governo de Evo Morales, segundo o ministro de Planejamento do Desenvolvimento boliviano, Carlos Villegas.Villegas fez estas declarações na entrevista coletiva em que apresentou o plano econômico do presidente socialista para seus cinco anos de gestão, que termina em 2010. "À exceção da Petrobras, a maioria das empresas que tinham contratos de joint venture aceitou, acatou o conteúdo do decreto de nacionalização", anunciou o ministro.Com ativos no valor de US$ 1,5 bilhão, a companhia brasileira é a principal investidora no setor petroleiro boliviano, junto à hispano-argentina Repsol YPF, em uma área na qual também estão presentes as britânicas British Gas e British Petroleum e a francesa Totalfinaelf.Villegas disse que estas companhias "estão em processo de negociação com as autoridades do Ministério de Hidrocarbonetos e da estatal Yacimientos Petrolíferos Fiscales Bolivianos (YPFB)". "A única empresa com a qual o diálogo ainda não foi iniciado foi com a Petrobras", reiterou, apesar de o Brasil ter se mostrado disposto a acatar a nacionalização quando ela foi decretada, em 10 de maio. Houve uma reunião um pouco depois em La Paz entre o ministro de Minas e Energia brasileiro, Silas Rondeau, o presidente da Petrobras, Sérgio Gabrielli, o ministro de Hidrocarbonetos da Bolívia, Andrés Soliz, e o presidente da YPFB, Jorge Alvarado.NegociaçãoO ministro de Planejamento do Desenvolvimento boliviano esclareceu nesta terça-feira, no entanto, que a Petrobras informou ontem que "está disposta a começar a negociar" e convidou as autoridades bolivianas a viajar ao Brasil.O ministro explicou que "é muito difícil" que esta viagem aconteça, por causa da "apertada agenda" dos funcionários de La Paz, e que "está sendo elaborada uma contraproposta para que as autoridades do Brasil" viajem à Bolívia para iniciar as negociações.A oferta da Petrobras de começar a negociar é uma resposta à exigência do Executivo de Morales de aumentar o preço do gás natural que a Bolívia exporta ao Brasil mediante um contrato assinado em 1999 entre as duas nações.La Paz informou à Brasília sobre sua intenção de revisar o acordo, um passo que ativa um prazo de 45 dias para que as partes cheguem a um acordo. Se não chegarem, o convênio estipula a intervenção de um tribunal de arbitragem internacional para solucionar a questão.Segundo a imprensa, os executivos da Petrobras não estão dispostos a aceitar uma alta do preço do hidrocarboneto e querem esgotar os 45 dias de prazo, convencidos de que sairão ganhando em uma instância judicial no exterior - principalmente porque o contrato já fixa um aumento gradual da tarifa em função da alteração do custo de outros carburantes alternativos no mercado internacional.A Bolívia bombeia atualmente cerca de 26 milhões de metros cúbicos diários de gás ao Brasil a US$ 3,4 dólares por milhão de BTUs (Unidade Térmica Britânica). A Bolívia também pretende aumentar o custo do gás exportado para a Argentina (5,5 milhões de metros cúbicos diários, a um preço similar).

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