Só Volks ainda não fechou acordo com metalúrgicos do Paraná

Trabalhadores querem R$ 15 mil em PLR, R$ 5,6 mil de abono e 3% de aumento real nos salários, além da inflação

O Estado de S.Paulo

20 de agosto de 2012 | 03h07

A Volkswagen/Audi é a única das três montadoras de veículos do Paraná que ainda não chegou a um acordo salarial com o Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba. Na fábrica de caminhões e ônibus da Volvo, a empresa já se comprometeu a pagar a cada um dos 40 mil funcionários R$ 20 mil de Participação nos Lucros ou Resultados (PLR), abono de R$ 5 mil e aumento real de 3% nos salários, além da inflação, a partir de setembro. Na Renault, os 6,2 mil trabalhadores terão R$ 15 mil de PLR, R$ 5,6 mil de abono e ganho real de 3%, previstos no acordo fechado em 2011.

"Vamos começar a negociar com a Volkswagen na semana que vem. Achamos que vamos encontrar dificuldade, não pelo fato de o setor estar ruim ou bom, mas porque a empresa deve tentar negociar conosco o mesmo acordo fechado em São Paulo, principalmente em Taubaté e São Bernardo do Campo", diz Sérgio Butka, presidente do sindicato local.

Pelo acordo, os metalúrgicos da montadora no ABC e Taubaté terão aumento real de 2,51% e PLR de R$ 12,5 mil, valores que o sindicalista considera "muito baixos", comparados com os valores negociados com as duas outras montadoras no Paraná. "Vamos seguir na linha da negociação da Renault. Achamos que a montadora tem condições de fazer proposta nesse sentido, até pelo fato de o setor continuar vendendo bem, graças aos incentivos do governo federal."

Para o sindicalista, a negociação da PLR deverá ser difícil. Ele fez questão de ressaltar que tanto a Volks como o sindicato estão tentando buscar uma negociação sem paralisação. "Mas essas questões não dependem só de vontade. Dependem de posições que às vezes vêm de fora, da matriz na Alemanha", destaca.

Na campanha salarial do ano passado, a Volks não aceitou pagar o valor de Participação nos Lucros ou Resultados (PLR) reivindicado pelos 3,1 mil metalúrgicos da fábrica de São José dos Pinhais e enfrentou uma greve de 37 dias, a mais longa de uma empresa no Paraná. Empresa e sindicato cederam em sua posições e fecharam acordo para pagamento de R$ 11,5 mil em PLR.

Comerciários. Em São Paulo, sindicatos de comerciários ligados à Força Sindical, União Geral dos Trabalhadores (UGT), Central Única dos Trabalhadores (CUT) e Nova Central Sindical de Trabalhadores (NCST) resolveram negociar de forma unificada. Com data-base em setembro, os cerca de 2,5 milhões de comerciários no Estado querem 4,5% de aumento real, além da reposição da inflação.

"Pela primeira vez, vamos no sentar na mesma mesa de negociação, o que dá mais força ao movimento", diz Luiz Carlos Motta, presidente da Federação dos Empregados no Comércio do Estado de São Paulo, entidade ligada à Força Sindical.

Além do ganho real, os sindicalistas querem negociar o fim do banco de horas e novas regras para o trabalho nos domingos e feriados. Ricardo Patah, presidente da UGT e do Sindicato dos Comerciários de São Paulo, quer negociar acordo semelhante ao fechado com as concessionárias de veículos. As lojas abririam em apenas dois domingos intercalados durante o mês. / M.R.

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