Tiago Queiroz/Estadão 19/11/2018
Uma das principais datas do comércio brasileiro, Black Friday 2020 será no dia 27 de novembro. Tiago Queiroz/Estadão 19/11/2018

Sob efeito da pandemia, Black Friday 2020 deve crescer nas vendas online

Expectativa é de aumento de 27% no faturamento do e-commerce, segundo a consultoria Ebit Nielsen; uma das principais datas para o comércio brasileiro, o dia de descontos será em 27 de novembro 

Luciana Lino, especial para o Estado, O Estado de S.Paulo

27 de outubro de 2020 | 11h01

No dia 27 de novembro será realizada a edição de 2020 da Black Friday, um dos principais eventos no calendário do varejo físico e do comércio eletrônico do Brasil. A expectativa para a data é de aumento nas vendas principalmente no e-commerce

De acordo com levantamentos realizados pela Associação Brasileira de Comércio Eletrônico (ABComm) e pela consultoria Ebit/Nielsen, o faturamento da Black Friday 2020 será maior do que no ano passado, quando bateu recorde nas vendas online. Dentre os motivos que explicam o crescimento, o principal deles é unânime: o isolamento provocado pela pandemia de covid-19, que já preparou o consumidor para as compras virtuais. 

Segundo pesquisa da ABComm, em parceria com o Neotrust-Compre&Confie, a estimativa para o evento deste ano é de crescimento de 77% nas vendas em relação a 2019, atingindo a marca de R$ 6,9 bilhões. A previsão considera o período que vai da quinta anterior até segunda-feira pós-Black Friday. 

Para a Ebit Nielsen, a projeção é de alta de 27% nas vendas na comparação com o ano anterior. Os cálculos consideram as vendas efetuadas entre a quinta anterior e a sexta-feira. 

Em 2019, a campanha também trouxe resultados positivos para as lojas online. Segundo a ABComm, entre a quinta e a segunda-feira pós-Black Friday, o e-commerce cresceu 18% em relação ao mesmo período de 2018, chegando a R$ 3,45 bilhões em faturamento. Segundo pesquisa da Ebit/Nielsen, o varejo online faturou  em 2019 R$ 3,2 bilhões entre quinta e sexta, representando um aumento de 23,6% em relação ao ano anterior. 

Além da pandemia, há outros motivos que explicam as boas expectativas para o setor. “A entrada de novos consumidores no e-commerce foi alta durante o primeiro semestre, são pessoas que já estão comprando no ambiente virtual”, diz a líder da Ebit/Nielsen, Júlia Ávila. 

Ainda de acordo com a consultoria, outros fatores que favorecem a movimentação do comércio online este ano são a redução da taxa de juros, a recuperação da confiança do consumidor, a criação de contas digitais para o pagamento do auxílio emergencial e a maior confiança nas promoções divulgadas pelas empresas para a data. 

Para o vice-presidente da ABComm, Rodrigo Bandeira, o home office também ajuda a impulsionar o e-commerce. “Muitas pessoas ainda estão trabalhando de casa, estão mais tempo conectadas e expostas a ofertas online”, diz. 

Apesar da alta estimada para 2020, há fatores, também relacionados à pandemia, que impedem previsões mais otimistas, como a redução do valor do auxílio emergencial, segundo Júlia. Bandeira destaca que a insegurança com o futuro da economia também pode frear o consumo na data. 

A Federação do Comércio de São Paulo (FecomercioSP) prevê aumento de até 3% nas vendas do comércio varejista no mês de novembro em relação ao mesmo período de 2019 sob impacto da Black Friday. Para a data específica, a expectativa é que a demanda por eletroeletrônicos tenha um desempenho melhor do que o do ano passado.

A origem da Black Friday

A origem do termo Black Friday (Sexta-feira Negra, em tradução livre) não é exata, mas não está relacionada à venda de escravos, hipótese que ganhou força nas redes sociais no ano passado. 

Há teorias que indicam que a expressão surgiu no final do século 19, em referência a um colapso da “corrida do ouro” na Bolsa de Valores norte-americana. A palavra “negra” é erroneamente utilizada na história para descrever algum evento tido como negativo.

Outra teoria que explica o termo é seu suposto uso por policiais da Filadélfia, nos anos 1960, que descreviam como “Black Friday” a data que sucede o Dia de Ação de Graças. Na ocasião, o trânsito da cidade ficava congestionado devido ao fim do feriado e os lojistas teriam aproveitado a lentidão dos veículos para expor descontos promocionais nas fachadas das lojas, com o intuito de atrair compradores. Essa origem foi descrita pelo repórter do jornal diário Philadelphia Bulletin, Joseph P. Barrett, em um artigo de 1994.

Apesar das teorias, o que se sabe é que, em relação ao período de compras, o termo ganhou popularidade nos Estados Unidos durante a década de 1990, sobretudo com o surgimento do e-commerce. Na data, diversas marcas oferecem grandes descontos para os consumidores, iniciando a temporada de compras para o Natal.

Black Friday no Brasil

A campanha chegou ao Brasil por meio do site Busca Descontos, em 2011, focado inicialmente nas promoções pela internet. O Busca Descontos surgiu em 2010 como um site de promoções via cupons e, desde então, é um dos líderes em ofertas no e-commerce. Além da Black Friday, o site promove o Cyber Monday, Brasil Day, Boxing Week, Mega Saldão e Dia do Frete Grátis - todos eventos importantes para o comércio eletrônico.

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Black Friday 2020: saiba como se proteger de golpes em compras online

Ferramentas de proteção de dados e verificação de autenticidade de sites ajudam a evitar fraudes; especialistas recomendam ter um 'kit de boas práticas'

Ana Luiza de Carvalho, Felipe Siqueira e Giovanna Wolf, O Estado de S.Paulo

26 de outubro de 2020 | 05h00
Atualizado 23 de novembro de 2020 | 14h16

Já virou tradição no calendário brasileiro do varejo: o mês de novembro é o mês da Black Friday. Segundo dados da consultoria Ebit/Nielsen, em 2020 a Black Friday brasileira deve ter uma alta de 27% nas vendas na comparação com o ano passado, motivada principalmente pela adesão do consumidor ao comércio eletrônico durante a pandemia. Em meio às promoções, porém, surgem as dúvidas de como se proteger ao comprar e vender pela internet. Com supostos descontos imperdíveis do evento, os usuários podem agir por impulso e realizar péssimos negócios.

De acordo com o diretor da Comissão Executiva de Prevenção a Fraudes da Federação Brasileira das Associações de Bancos (Febraban), Adriano Volpini, as instituições financeiras estão percebendo nos últimos anos que o brasileiro não tem o costume de se preocupar tanto com a segurança de seus dados. Isso facilita ações de criminosos na hora de roubo de dados e de dinheiro de contas digitais. "Nós temos uma questão cultural muito complicada. Por mais incrível que pareça, as pessoas fornecem dados (para criminosos)", diz. 

De acordo com Hélio Cordeiro, especialista em segurança da informação e consultor da assessoria Daryus, a dica é se proteger de várias formas. "Não existe um bala de prata, são boas práticas que juntas garantem uma compra", orienta. Saiba como se proteger ao comprar e vender pela internet

PARA COMPRADORES

Prefira lojas conhecidas

Ao comprar em instituições reconhecidas, o consumidor se protege de forma dupla: primeiro, aumenta a probabilidade de receber produtos de boa qualidade e sem sustos na entrega. Em segundo lugar, não fica exposto a plataformas de pagamento inseguras que podem roubar dados bancários.

Para lojas menos conhecidas, é preciso tomar alguns cuidados. Uma das possibilidades é consultar a reputação da marca em sites como o Reclame Aqui, em que é possível filtrar as reclamações dos consumidores por empresa e checar a resposta dela. Procure informações cadastrais como CNPJ, razão social e telefone fixo para contato.

Desconfie especialmente de links patrocinados em sites de pesquisa, aquele primeiro que aparece nas pesquisas com a indicação de que foi impulsionado. Fraudadores costumam pagar para terem seus links maliciosos com destaque. 

Cuidado com o 'mito do cadeado'

Uma das formas de checar se as informações do site são criptografadas de ponta a ponta é conferir os ícones que aparecem no próprio navegador. Um dos indicativos é quando a URL do site começa com “https”, em que S vem de segurança. Além disso, ao lado do campo de endereço há um ícone de cadeado. Ao clicar em cima do cadeado, o carregador abre uma janela certificando que o site é seguro. 

O cadeado, porém, não significa uma transação comercial totalmente segura. Hélio Cordeiro explica que o cadeado dificulta o vazamento de informações, mas não significa que o comerciante envolvido na negociação seja idôneo. “Claro que um cadeado é um dos sinais que podem indicar que a comunicação é segura, mas eu posso criar um site temporário chamado ‘Ebay ponto alguma coisa ponto com’, com cadeado, para roubar seus dados”, afirma.

Google Transparency Report: na dúvida, verifique

De acordo com Hélio Cordeiro, uma alternativa é usar verificadores de autenticidade, como a checagem de URLs do Google Transparency Report. O usuário pode inserir o endereço da página no verificador e checar se há algum registro de insegurança no domínio. Na dúvida, o melhor é desistir da transação.

Compre apenas por equipamentos de confiança

Ainda que o cliente esteja realizando a compra em um site idôneo, a clonagem dos dados do cartão de crédito ainda é uma possibilidade. Isso vale para computadores compartilhados ou redes de wi-fi pública, em que todas as informações enviadas à rede podem ser capturadas e repassadas a terceiros. Mesmo em casa, é preciso se cuidar. Instale no computador ferramentas como antivírus e firewall, que bloqueiam invasores. Também vale instalar um antivírus no celular.

Outra medida importante é  manter os sistemas operacionais de computadores, smartphones e tablets atualizados, para terem acesso aos pacotes mais recentes de segurança do desenvolvedor. Isso inclui não utilizar softwares piratas, nem no computador nem em celulares, porque esses aplicativos não recebem as atualizações.

Use cartões virtuais

Outra possibilidade para evitar a clonagem de dados é o uso do chamado cartão virtual. Algumas instituições financeiras oferecem a ferramenta, gerada na hora, a partir da solicitação do cliente no aplicativo ou site. “Além de poder fazer uma compra única, não fornece seu dado real", explica Hélio Cordeiro.

A compra é lançada na fatura convencional e integra o mesmo limite, mas os números do cartão e código de segurança são diferentes do cartão físico. Após o cliente efetuar a compra, os números são inutilizados. Dentre as instituições que já oferecem o cartão virtual estão Nubank, Itaú, Santander, Banco do Brasil e Caixa Econômica.

A exceção é o Nubank, que tem uma numeração única para o cartão virtual independente do número de compras. É como se ele fosse uma segunda versão do cartão físico, com data de validade mais longa que os demais cartões virtuais.

Observe as formas de pagamento disponíveis

Uma das formas de pagamento mais seguras para o consumidor é o cartão de crédito. Além de eventuais seguros cobertos pela própria bandeira da marca, é possível solicitar o estorno da compra se houver algum problema. 

“O consumidor final vai conseguir seu dinheiro de volta caso caia em um golpe ou caso outra pessoa utilize seu cartão, porque o processo de estorno é autorregulado, ou seja, ele é igual para todos os varejistas e emissores de cartão”, explica o diretor de marketing e soluções da ClearSale Omar Jarouche. 

Por outro lado, se o site oferece apenas possibilidades de pagamento à vista, como transferências e boletos, o consumidor deve pensar bem antes de efetuar a compra. “É muito difícil reaver o pagamento realizado via boleto ou transferência bancária”, aponta Jarouche. 

Engenharia social: o e-mail não morreu

Em época de Black Friday, diferentemente de outros períodos do ano, que as pessoas até ignoram mensagens de vendas por falta de interesse, a espera por promoções as deixa mais vulneráveis. 

De acordo com Adriano Volpini, o fornecimento de dados por parte de clientes a ladrões de dados online se dá, principalmente, por um conceito chamado Engenharia Social. Essa prática consiste em uma mensagem, enviada por um fraudador - seja por meio de SMS, email, aplicativo de mensagem ou ligação. É o que muitos chamam de Spam, aquele arquivo que fica como potencialmente malicioso no email, por exemplo. 

A vítima recebe promoções muito atraentes de produtos que, geralmente, possuem um preço muito alto, e que levam para links maliciosos. "A pessoa vê um celular que custa R$ 7 mil por R$ 1 mil e quer comprar, por mais que a gente saiba que esse tipo de promoção é impossível, mesmo em época de Black Friday", explica Volpini. 

Se receber cupons com ofertas de ultra descontos ou produtos de graça, principalmente pelo Whatsapp ou por e-mail, desconfie. Via de regra, as grandes promoções estão disponíveis nas redes sociais e site das marcas e não exigem que os usuários repassem nenhum tipo de link. 

Comumente, o link foi enviado de forma inadvertida por um conhecido. O link geralmente está com algum encurtador de URL, para que o usuário não tenha certeza se ele leva ou não ao site oficial da marca. Para receber o suposto produto, o usuário deve repassar o anúncio e preencher algum formulário.

Helio Cordeiro afirma que, ainda hoje, o e-mail é uma ferramenta de comunicação importante. De acordo com ele, os e-mails de phishing com erros de ortografia são coisa do passado: agora, os golpes reproduzem perfeitamente o design dos e-mails legítimos. 

Além disso, muitas vezes os bandidos usam informações direcionadas para tentar dar mais credibilidade aos golpes. “Imagine que mando para a equipe de jornalismo do Estadão um e-mail dizendo que em uma franquia próxima de certa loja de chocolate está com promoção especial. Para isso, tem que fazer o cadastro no site usando o código ‘JornalismoEstadão’. Na pressa, muita gente pode cair”, explica o especialista.

PARA VENDEDORES

Sempre que possível, não negocie fora das plataformas

Em sites que conectam compradores e vendedores, um dos maiores riscos é a comunicação fora das plataformas —principalmente para os vendedores. Um dos golpes mais comuns é a falsificação de e-mails de pagamento. 

A fraude começa quando o suposto comprador manda uma mensagem pelo chat da plataforma pedindo que o vendedor entre em contato, pois quer mais informações sobre o produto. A maioria dos sites alertam para os riscos de negociar fora da plataforma e, por isso, bloqueiam mensagens que tenham sites ou endereços de e-mail. Para driblar o mecanismo de proteção, o golpista digita o próprio e-mail com vários pontos finais intercalados entre os caracteres, dificultando a leitura e bloqueio da mensagem pela plataforma.

O vendedor, então, entra em contato com o suposto comprador para solucionar dúvidas. O golpista afirma que vai finalizar a compra e, com o e-mail do vendedor em mãos, falsifica uma mensagem de comprovação do pagamento idêntica a que os sites intermediadores enviam.

Em seguida a vítima recebe a falsa autorização para enviar o produto e acaba despachando o produto pelos Correios. Dessa forma, ele não recebe o pagamento e fica sem o produto.

Para evitar essa fraude, o vendedor sempre deve conferir o passo a passo da negociação pelo site, ainda que receba e-mails da plataforma, e nunca fornecer contatos pessoais caso essa seja a orientação do site em que está vendendo.

Cuidado com as devoluções de produtos

De acordo com o Código de Defesa do Consumidor, os clientes têm até sete dias para se arrependerem de compras realizadas pela internet e devolverem o produto. Algumas plataformas chegam a oferecer trinta dias de cobertura para arrependimento. Para isso, a plataforma emite um cupom de entrega para ser anexado à caixa de devolução.

O que pode ocorrer é o cliente devolver o produto danificado, ou pior, enviar a caixa de devolução com outro produto ou tijolos dentro. Nesse caso, uma orientação informal repassada entre vendedores é sempre filmar o recebimento do produto para enviar à plataforma de intermédio, caso seja necessário.

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Para evitar aglomeração, Via Varejo anuncia Black Friday antecipada

Dona das redes Casas Bahia e Pontofrio começa a temporada de ofertas nesta sexta-feira

Luciana Lino, Especial para o Estadão

23 de outubro de 2020 | 16h40

A Black Friday deste ano está marcada para o dia 27 de novembro. Porém, a Via Varejo - dona das Casas Bahia e do Pontofrio - começa nesta sexta-feira, 23, a sua temporada de ofertas, que se estenderá por 40 dias. O objetivo é evitar aglomeração nas lojas por causa da da pandemia de covid-19

De acordo com a diretora de Marketing e Comunicação da Via Varejo, Ilca Sierra, não haverá flutuação de preços até o fim da campanha. As promoções já podem ser vistas nas lojas físicas, nos sites e nos aplicativos das marcas. 

No online, destacam-se alternativas como entregas rápidas e frete grátis nas compras pelo aplicativo nos itens selecionados (exceto para a Região Norte).

As campanhas da Casas Bahia e do Pontofrio serão veiculadas na televisão desta sexta e foram desenvolvidas pela agência VMLY&R em parceria com o marketing da Via Varejo e o YouTube Brasil.

 

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Buscas no Google por campeões de venda da Black Friday já superam marcas de 2019

Para executiva do buscador, dados mostram que consumidor está mais cauteloso e pesquisando os melhores preços com antecedência

Talita Nascimento, O Estado de S.Paulo

06 de outubro de 2020 | 11h52

Em 2019, a semana da Black Friday foi o pico de buscas no Google para 72% das macro categorias do varejo. Neste ano, entre os dias 26 de agosto e 22 de setembro, 19 das 29 categorias analisadas pelo Google já registraram um volume de buscas que supera a Black Friday de 2019. Categorias como móveis e decoração - que estavam no pico de aumento de buscas da sexta-feira de ofertas no ano passado - estão 22% e 51% acima do registrado na última edição do evento. Alimentos e bebidas, que não registravam picos durante a Black Friday, estão hoje num novo patamar de buscas, 40% e 23% acima da data de promoções de 2019. 

Para a diretora de negócios para o Varejo do Google Brasil, Gleidys Salvanha, esse crescimento não significa que as compras para a Black Friday estejam antecipadas, o que minguaria a data. Pelo contrário, os indícios são de uma Black Friday histórica. “A data tem acontecido há mais tempo e o consumidor tem ficado mais maduro. Olhando o patamar a que as buscas chegaram, não faz sentido cair”, diz.

O maior volume de compras online e buscas esperados para a Black Friday deste ano, porém, vem mais da evolução do e-commerce, do que de um momento de confiança do consumidor. “Pelo que vimos, essa data será de um consumidor mais cauteloso”, afirma Gleidys. Isso porque o consumidor está focado em preços baixos e pesquisando com antecedência.

Segundo os dados do Google, a pandemia aumentou o interesse por promoções. A partir de abril, as buscas no Google relacionadas ao tema subiram e cresceram 38% entre abril e julho de 2020 ante o mesmo período no ano passado, enquanto entre janeiro e março, as buscas por promoções estavam 28% menores que no primeiro trimestre de 2019. O volume de buscas pelo termo "cupom" é 35 vezes maior que por "cashback", mas o interesse por termos relacionados a cashback cresce em um ritmo mais acelerado: 74% ano a ano; enquanto a procura por cupom avança 30% ano a ano.

Outra tendência acelerada pela pandemia foi o aumento expressivo do interesse por "frete grátis" no buscador. Em julho deste ano, o tema já era 118% maior do que no mês da Black Friday de 2019. O "frete expresso" também ganhou relevância no período e, segundo o Google, terá um papel importante na temporada e principalmente no Natal, em razão das compras de última hora. Aliás, essa pressa faz o consumidor optar por estratégias multicanais, como o "clique & retire".

De olho no movimento, a Google vai permitir que varejistas e marcas exibam seus produtos gratuitamente na aba do Google Shopping. Em abril, a empresa anunciou a listagem gratuita de produtos no Google Shopping nos Estados Unidos. A partir da segunda quinzena de outubro, a novidade estará disponível no Brasil.

Isso significa que quando um consumidor procurar um produto específico, como uma peça de roupa, os resultados da busca exibidos na aba Google Shopping serão, em sua maioria, listagens gratuitas. A empresa diz que a intenção com o benefício não é, ao menos no momento, crescer como um marketplace, já que o processo de compra e pagamento seria direcionado para o site do varejista. 

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Black Friday 2020: smartphone é produto mais buscado por consumidores

Segundo levantamento do Promobit, os aparelhos celulares apresentam 22% das intenções de compra e a projeção é que tenham desconto em torno de 27%

Luciana Lino, especial para o Estado,

30 de outubro de 2020 | 15h28

O smartphone é o produto mais buscado pelos consumidores interessados em comprar na Black Friday 2020, segundo levantamento realizado pela plataforma de descontos Promobit. O aparelho representa 22% das intenções de compra de 1.500 entrevistados. Em seguida, aparecem outros eletrônicos, como televisão (14,4%) e notebook (6,6%).

Com base nos descontos médios da Black Friday de 2019, os preços dos smartphones podem cair em torno de 27% na data este ano. Se a intenção for comprar um iPhone, o desconto passa para 20%, em média.

Demais eletrônicos e acessórios que também aparecem na lista dos produtos mais desejados pelos consumidores, como o PlayStation 4 e fones de ouvido, apresentam projeções de ofertas mais vantajosas: 45% e 36%, respectivamente. 

Para o coordenador do curso de Economia da FGV EESP, Joelson Sampaio, a disparidade entre os dados está associada ao conceito de elasticidade. “Para os consumidores, o smartphone é um item de necessidade maior do que um videogame ou um fone de ouvido. Então, para esses produtos chamarem mais atenção e conseguirem alavancar as vendas, é necessário oferecer um desconto maior”, explica.

O valor é outro motivo que pode explicar a diferença entre as projeções. “Quanto maior o valor do item, menor o porcentual de desconto, porque, em termos absolutos, o desconto se torna maior conforme aumenta o valor do produto”, diz Sampaio. 

Entre os produtos mais desejados e listados pelo Promobit, o único não eletrônico é a cadeira, que representa a maior projeção de desconto da lista: 52%. Para o head de conteúdo da plataforma, Willian Oliveira, o aumento no interesse pelo objeto pode ser explicado pela maior procura pelas cadeiras gamer, voltadas para quem passa muito tempo jogando no computador. 

Produtos mais desejados e sua projeção de desconto, segundo o Promobit

  • Smartphone - 27%
  • TV - 20%
  • Notebook - 22%
  • Placa de vídeo - 23%
  • Máquina de lavar - 22%
  • Fone de ouvido - 36%
  • PS4 - 45%
  • Monitor - 32%
  • Geladeira - 20%
  • Cadeira - 52%

Queima de estoque

Entre os produtos eletrônicos, a maior projeção de ofertas pode estar relacionada também a uma questão de estratégia mercadológica. A Sony, fabricante do PlayStation 4, lançará o sucessor do videogame, o PlayStation 5, no dia 19 de novembro. Possivelmente, isso pode explicar a tendência de grandes descontos para o PS4 na Black Friday. 

Um caso semelhante aconteceu na Black Friday do ano passado. Segundo o Promobit, o preço do aparelho Samsung Galaxy A30 saiu de R$ 1.499 para R$ 879, o que representa um desconto de 47%. Em março deste ano, a empresa divulgou o modelo sucessor, o Galaxy A31, lançado no Brasil no fim de abril.

“As fabricantes sempre vão lançar linhas novas. Uma forma de retirar ou de reduzir uma linha de produtos é por meio da queima de estoque”, diz Sampaio.

Desafios para o e-commerce

Os preços não são os únicos fatores decisivos de compra na Black Friday, de acordo com a pesquisa do Promobit. Pontos como frete, reputação da loja, condições de pagamento e prazo de entrega também foram citados pelos entrevistados. 

Esses elementos podem representar um desafio para as varejistas, que vão lidar com uma Black Friday muito mais virtual do que as anteriores, devido à pandemia da covid-19. De acordo com a consultoria Ebit Nielsen, a expectativa é de aumento de 27% no faturamento do e-commerce em relação à campanha de 2019. 

Para o cofundador do Promobit, Fabio Carneiro, outro entrave que pode ser enfrentado pelas lojas é a experiência do usuário. “Alguns consumidores podem encontrar dificuldades para comprar no site, que envolve não só a parte de interface, mas especialmente a questão de infraestrutura, quando o site não comporta o tráfego que está recebendo”, explica. 

Carneiro também aposta que um dos principais desafios da Black Friday 2020 será a logística. “Neste ano, tivemos um aumento muito grande no volume de pessoas comprando pela internet. No início da pandemia, o varejo sofreu muito com a questão de entrega e de gestão de estoque, e acredito que isso também possa acontecer na Black Friday”, diz. 

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