Wilton Junior/Estadão
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Sob efeito de Brumadinho, produção de minério de ferro da Vale cai 33% no 2º tri

Seis meses depois do rompimento da barragem da mina Córrego do Feijão, que deixou 248 mortos e 22 desaparecidos, a mineradora segue com operações interrompidas em algumas unidades de Minas

Mariana Durão, O Estado de S.Paulo

22 de julho de 2019 | 18h13

RIO - A Vale registrou queda de 33,8% na produção de minério de ferro do segundo trimestre, ante o mesmo período de 2018, para 64,1 milhões de toneladas, ainda sob o impacto da tragédia de Brumadinho (MG) e de chuvas atípicas no seu Sistema Norte (PA), onde estão Carajás e o projeto S11D. A produção de pelotas – pequenas bolinhas de minério usadas na fabricação do aço – também recuou 29,3% na mesma comparação, para 9,1 milhões de toneladas.

Na comparação anual, as vendas de finos de minério, carro-chefe da Vale, e pelotas minguaram 18,2%. A mineradora, no entanto, vendeu 4,5% a mais em relação ao primeiro trimestre, o que atribui à estratégia de reduzir estoques no exterior. A Vale aponta que a retomada das atividades na mina de Brucutu, em Minas Gerais, combinada ao aumento dos embarques no Norte, devem surtir efeito na produção do segundo semestre.

Seis meses após o rompimento da barragem de rejeitos da mina Córrego do Feijão, em Brumadinho, deixar 248 mortos e 22 desaparecidos, a Vale segue com operações interrompidas em unidades como as usinas de pelotas Fábrica e Vargem Grande (MG). Com Brucutu funcionando, a mineradora recupera um terço das 93 milhões de toneladas perdidas com o desastre. A expectativa é de uma retomada gradual de outras 30 milhões de toneladas a partir do fim do ano, com o restante retornando em dois a três anos apenas.

Ao enxugar a oferta de minério da Vale, a tragédia de Brumadinho foi um catalisador para a disparada dos preços da commodity. Mesmo fechando em baixa ontem, a cotação da commodity negociada no porto de Qingdao, na China, ficou em US$ 118,33 por tonelada. No dia 24 de janeiro, véspera do rompimento da barragem em Brumadinho, o preço do minério era US$74,71 por tonelada. No ano, a alta já é de 63%.  

Neste cenário, a expectativa de analistas é que a Vale apresente um resultado operacional consistente no próximo dia 31, quando divulga o balanço do segundo trimestre. Para compensar a redução das atividades em Minas, a Vale busca vender mais minério de Carajás, de maior qualidade e mais caro. A participação de produtos premium no total de vendas foi de 86% no trimestre encerrado em junho, ante 81% de janeiro a março.

 Para Pedro Galdi, da Mirae Asset, os ganhos serão fortes em termos de receita e Ebitda (que mede a potencial geração de caixa operacional pela companhia), embora a última linha do balanço (lucro) ainda seja uma incógnita. "Provavelmente vai haver provisão (relativa ao desastre de Brumadinho), mas o operacional vai ser muito bom", diz.

Os analistas Gustavo Allevato e Ricardo Monegaglia, do Santander, destacam que mesmo com os números fracos de produção de minério de ferro no segundo trimestre, como era esperado, as vendas totais da Vale bateram em 12% as estimativas do banco. O crescimento, junto com o maior preço do insumo, deve mais que compensar os maiores custos de produção durante o trimestre. / Colaborou Renato Carvalho

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