Dida Sampaio/ Estadão
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coluna

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Sob impacto da pandemia, 'prévia' do PIB tem queda de 5,90% em março

Resultado do Índice de Atividade Econômica do Banco Central, na comparação com fevereiro, já captou os efeitos das medidas de isolamento social para conter o coronavírus, que fecharam o comércio e a indústria

Lorenna Rodrigues, O Estado de S.Paulo

15 de maio de 2020 | 09h14

BRASÍLIA - A economia brasileira registrou retração de 5,90% em março em relação a fevereiro, segundo o Índice de Atividade Econômica (IBC-Br), uma espécie de "prévia" do Produto Interno Bruto (PIB), divulgado pelo Banco Central (BC) nesta sexta-feira, 15. O número foi calculado após ajuste sazonal, uma "compensação" para comparar períodos diferentes de um ano.

Entre janeiro e março o recuo foi de 1,95% ante o quarto trimestre de 2019. Quando a comparação é feita com o resultado do primeiro trimestre de 2019, porém, o IBC-Br indica uma queda menor, de 0,28% (sem ajuste sazonal).

O resultado do nível de atividade no primeiro trimestre deste ano contou com impacto ainda limitado da pandemia do novo coronavírus, que foi declarada pela Organização Mundial de Saúde (OMS) no dia 11 de março. Desse modo, afetou de forma mais intensa os últimos 15 dias do trimestre.

Os Estados brasileiros começaram a anunciar medidas de distanciamento social, progressivamente, a partir de meados de março - quando o Distrito Federal anunciou a suspensão das aulas. Em 13 de março, São Paulo e Rio de Janeiro anunciaram medidas para limitar a circulação e a concentração de pessoas.

No dado de março, porém, o impacto dessas medidas já foram fortemente sentidos na atividade econômica. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) registrou quedas em todos os setores no mês: produção industrial (-9,1%), varejo ampliado (-13,4%) e serviços (-6,9%).

O IBC-BR do Banco Central é um indicador criado para tentar antecipar o resultado do PIB, mas os números oficiais do PIB do primeiro trimestre serão divulgados pelo IBGE somente no dia 29 de maio. Em 2019, o PIB cresceu 1,1%, o  desempenho mais fraco em três anos.

Em 12 meses até março de 2020, sem ajuste sazonal, os números do BC indicam uma expansão de 0,75% na prévia do PIB.

Projeções

Por conta dos efeitos da pandemia, o mercado financeiro estimou, na semana passada, um tombo de 4,11% para o PIB de 2020. Os reflexos da pandemia têm derrubado a economia mundial e colocado o mundo no caminho de uma forte recessão.

O BC informou, nesta semana, BC, que seu cenário básico pressupõe "queda forte do PIB na primeira metade deste ano", seguida de uma recuperação gradual a partir do terceiro trimestre de 2020.

O governo, por sua vez, previu uma retração de 4,7% para este ano - considerando que as medidas de distanciamento social terminarão em maio.

O Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional (FMI) estimam queda do PIB brasileiro de, respectivamente, 5% e 5,3%.

Os resultados do IBC-Br, porém, nem sempre mostraram proximidade com os dados oficiais do PIB. O cálculo dos dois é um pouco diferente – o índice do BC incorpora estimativas para a agropecuária, a indústria e o setor de serviços, além dos impostos.

O IBC-Br é uma das ferramentas usadas pelo BC para definir a taxa básica de juros do país. Com o menor crescimento da economia, por exemplo, teoricamente haveria menos pressão inflacionária.

Atualmente, a taxa Selic está em 3% ao ano, na mínima histórica, e o Banco Central indicou, na ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) que poderá reduzi-la para 2,25% ao ano em meados de junho - no seu próximo encontro.

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