Ernesto Rodrigues/Estadão
Ernesto Rodrigues/Estadão

Sob pressão, Bolsonaro desembarca em Davos em busca de confiança

Presidente desembarca nos Alpes suíços sob pressão com a divulgação do relatório do Coaf que mostra movimentações bancárias suspeitas do seu filho mais velho, mas terá a chance de reforçar o discurso pró-reforma da Previdência

Adriana Fernandes, Enviada especial a Davos

20 de janeiro de 2019 | 19h13

Caro leitor,

Confiança é o nome do jogo do Brasil na estreia internacional do presidente Jair Bolsonaro durante o Fórum Econômico Mundial de Davos, que começa nessa segunda-feira na Suíça.  

Depois de uma eleição traumática no Brasil e um início tumultuado de governo, os investidores internacionais estão ávidos para entender melhor quais são os planos da equipe de Bolsonaro e, sobretudo, se o presidente brasileiro terá apoio no Congresso Nacional para aprovar as reformas necessárias para tirar o Brasil da situação dramática de elevado déficit fiscal e baixo crescimento do Produto Interno Bruto (PIB).

O Brasil precisa da confiança para atrair rapidamente investimentos e garantir o crescimento esperado maior para reduzir o desemprego – ponto chave da política econômica de Paulo Guedes, o ministro da Economia que chegou prometendo reformas profundas e uma revolução econômica.

Davos é o palco ideal e Bolsonaro será o primeiro presidente latino-americano a falar na sessão inaugural do Fórum.  No evento anual, nos Alpes suíços, se reúnem autoridades do mundo inteiro, a elite financeira internacional e influenciadores.

Bolsonaro queria, a todo custo, começar a reverter em Davos o trabalho de destruição de sua imagem no exterior durante as eleições. Convencido de que terá um momento ímpar para isso, aproveitando o interesse da grande imprensa internacional de vários países para se apresentar, mostrar suas plataformas e até se defender dos ataques que sofreu. 

Mas Bolsonaro desembarca em Davos já sob pressão com a divulgação, na última sexta-feira, pelo Jornal Nacional, da TV Globo, de relatório do Coaf que mostra movimentações bancárias suspeitas do seu filho mais velho Flávio Bolsonaro, eleito senador pelo PLS.

Dificilmente, o presidente e o seu ministro da Justiça, Sérgio Moro, que junto com Paulo Guedes também integrará a comitiva ao Fórum, conseguirão fugir dos questionamentos sobre Flávio. As suspeitas tem potencial para atrapalhar a recepção de Bolsonaro em Davos e exigirão da sua comitiva presidencial uma estratégia de comunicação mais arrojada para evitar a contaminação da crise interna com a perspectiva positiva da agenda econômica reformista de Paulo Guedes.

Como mostrou o jornal britânico Financial Times na edição de fim de semana, os investidores estrangeiros cautelosos estão cautelos. A publicação destacou preços das ações dispararam no Brasil com a nova abordagem do presidente, mas que dúvidas persistem sobre a reforma da Previdência.

O trunfo de Bolsonaro será  justamente mostrar compromisso com a aprovação rápida da reforma da Previdência ainda no primeiro semestre. A mudança nas regras de aposentadoria e pensão é o gatilho que o Brasil precisa para “oxigenar” a economia nos próximos anos.

A ideia inicial do governo era reforçar o discurso pró-reforma em Davos sem dar detalhes da proposta que será apresentada no início de fevereiro no plenário da Câmara, aproveitando a PEC do ex-presidente Michel Temer. Mas os planos podem mudar. O secretário de Previdência, Rogério Marinho, já antecipou ontem que Gudes pode, sim, falar dos principais pontos do novo texto. A conferir.

Como mostrou o BR 18, a economia brasileira e Paulo Guedes seguem blindados.  Bolsa de Valores continua batendo recordes e mostrando reação positiva à política econômica.

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