Petros Giannakouris/AP
Petros Giannakouris/AP

Sob pressão, Grécia volta atrás e vai privatizar porto

Venda de Pireu, maior porto do país, havia sido suspensa pelo governo de esquerda de Alexis Tsipras logo após a chegada ao poder

Andrei Netto, O Estado de S. Paulo

15 Maio 2015 | 05h00

PARIS - Pressionado pela União Europeia, o governo da Grécia anunciou nesta quinta-feira que vai desbloquear os procedimentos para a privatização do porto de Pireu, o maior do país. A decisão foi tomada pelo primeiro-ministro, Alexis Tsipras, e reverte uma das primeiras e mais emblemáticas decisões do governo radical de esquerda: a de cancelar a venda do patrimônio público.

Na prática, trata-se de uma nova inflexão do premiê às exigências impostas pela União Europeia e pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) em troca da liberação da última parcela do plano de socorro de 2012, no valor de 7,2 bilhões.

Na segunda-feira, o ministro das Finanças grego, Yanis Varoufakis, reconheceu que o país está em meio a uma grave crise de liquidez. Segundo ele, em duas semanas o governo pode não dispor de recursos para pagar suas obrigações correntes, tanto no plano interno quanto no externo. “A questão da liquidez é terrivelmente urgente”, admitiu. “Em termos de calendário, nós falamos das duas próximas semanas.”

O alerta feito por Varoufakis tinha como objetivo convencer os credores europeus - Comissão Europeia e Banco Central Europeu (BCE) - e o FMI a fechar um acordo sobre as reformas a serem promovidas pelo governo de Tsipras.

Entre elas estava a exigência de retomada do programa de privatizações que era empreendido pelo ex-primeiro-ministro Antonis Samaras e que foi abandonado pelo novo premiê quando chegou ao poder, no final de janeiro. Uma das vendas suspensas era a do Porto de Pireu, considerado patrimônio nacional estratégico.

Carta. Nesta quinta-feira, o governo de Tsipras voltou atrás na medida com o objetivo de convencer os parceiros europeus a liberarem recursos para Atenas. Em uma carta enviada na quarta-feira à noite às empresas interessadas no porto, a administração grega propõe a privatização de 51% do capital do Pireu, em lugar dos 67% propostos no projeto original. Dos cinco grupos inicialmente interessados, apenas três mantêm o interesse: China Ocean Shipping Company (Cosco), a holandesa APM Terminals e os filipinos da Philippines International Container Terminal Services.

O vencedor da concorrência poderá ainda ter a opção de, em cinco anos, aumentar sua participação até os 67% iniciais, desde que os investimentos no porto tenham alcançado 300 milhões no período. O processo de privatizações deve ser concluído até setembro ou outubro.

A privatização demonstra mais uma vez que Atenas não tem mais margens de manobra nas negociações com a União Europeia. Nesta quinta-feira, Varoufakis informou que o país deve pedir ao BCE o adiamento do reembolso de 6 bilhões devidos à autoridade monetária, de um total de 27 bilhões de títulos gregos em poder da instituição. “O vencimento deve ser adiado para um prazo distante”, afirmou o ministro. Caso contrário, será necessário contar mais uma vez com a ajuda da Europa para evitar uma moratória de pagamentos e um consequente default. “Entre julho e agosto, o Ministério das Finanças deverá tomar emprestado 6,7 bilhões de nossos parceiros para reembolsar as obrigações do programa de Securities Markets Programme (SMP).”

De acordo com a imprensa grega, os últimos alertas feitos por Atenas sobre a situação das finanças locais têm como objetivo deixar claro aos credores internacionais que o início do reembolso da dívida de 302 bilhões com o FMI, previsto para 6 de junho, deverá ser adiado em razão do risco de insolvência do país. 

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