Joédson Alves/EFE - 13/9/2021
Joédson Alves/EFE - 13/9/2021

Sob pressão, Guedes aproveita viagem aos EUA para sair dos holofotes

Políticos da oposição e governistas usam a revelação de uma offshore nas Ilhas Virgens Britânicas em nome do ministro para fazer pressão por verbas 

Adriana Fernandes, O Estado de S.Paulo

11 de outubro de 2021 | 17h38

BRASÍLIA - Sob forte pressão após a revelação de que mantém uma offshore no paraíso fiscal das Ilhas Virgens Britânicas, o ministro da Economia, Paulo Guedes, decidiu deixar Brasília por alguns dias e submergir em viagem de trabalho aos Estados Unidos.

Guedes embarcou nesta segunda-feira, 11, pela manhã, para os Estados Unidos, onde participa até quinta-feira da reunião anual do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial em Washington. O titular da Economia também participará de reuniões de ministros e presidentes dos Bancos Centrais do grupo de países das maiores economias do mundo, o G-20.

Guedes tem sido aconselhado a ficar fora dos holofotes e se concentrar nas reuniões nos Estados Unidos com investidores estrangeiros que já foram marcadas. O desgaste do ministro aumentou depois que o plenário da Câmara, por 310 votos favoráveis, aprovou requerimento na semana passada de convocação para prestar esclarecimentos sobre a sua offshore com patrimônio de US$ 9,55 milhões. 

O presidente do Banco do Central, Roberto Campos Neto, que também mantinha uma offshore em paraíso fiscal, foi poupado e não foi convocado como Guedes. A data não foi marcada, o que dá mais tempo para o ministro se preparar para as explicações que dará aos parlamentares. 

Por trás da articulação política para a convocação do ministro, participaram não só deputados da oposição, mas também aliados do governo críticos à atuação de Guedes no comando do superministério da Economia. O movimento dos aliados foi interpretado por interlocutores do ministro como um ato para desgastá-lo ainda mais, justamente num momento de definição do espaço no Orçamento de 2022 para emendas parlamentares e obras públicas.

A leitura política é que, sob pressão, Guedes acabará cedendo ao aumento dos gastos em ano eleitoral, enquanto cresceram rumores em Brasília de que o ministro poderá perder o cargo se as explicações aos parlamentares não convencerem.

A equipe econômica tem se mostrado contrária à proposta dos líderes do Centrão de prorrogação do auxílio emergencial ou de criação de auxílio temporário fora do teto de gastos (a regra que limita o crescimento das despesas à variação da inflação). Os próximos dias serão de decisões importantes nessa área, que poderão ter reflexos importantes nas eleições do ano que vem.

As informações das offshores foram reveladas por um consórcio internacional de jornalistas investigativos, chamado de Pandora Papers. Apesar de não ser ilegal manter dinheiro no exterior, críticos dessas operações apontam conflito de interesses no exercício de função pública.

Em meio à pressão política, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli decidiu arquivar os pedidos de investigação contra Guedes e Roberto Campos Neto. Os dois negam irregularidades. Os advogados do ministro argumentaram que tudo foi declarado à Receita Federal e demais órgãos competentes, muito antes de Guedes ingressar no governo.

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