EVARISTO SA | AFP
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Sobe para 22 o número de países com restrições à carne brasileira

Países suspenderam total ou parcialmente as compras ou aumentaram a fiscalização

Lu Aiko Otta, O Estado de S.Paulo

24 de março de 2017 | 23h38

 

 

BRASÍLIA - O número de países que já suspenderam total ou parcialmente as importações de carne brasileira após o anúncio da Operação Carne Fraca voltou a subir ontem, chegando a um total de 22, segundo levantamento do Ministério da Agricultura.

São 13 os países que suspenderam totalmente as compras do produto brasileiro: Hong Kong, China, Chile, Argélia, Jamaica, Trinidad e Tobago, Panamá, Catar, México, Bahamas, São Vicente e Granadinas, Granada e São Cristóvão e Névis. Esses dois últimos não constavam do balanço divulgado na quinta-feira pelo ministério.

Outros nove países ou blocos suspenderam as compras apenas dos 21 frigoríficos investigados na operação. São eles: Japão, África do Sul, União Europeia, Suíça, África do Sul, Canadá, Egito, Emirados Árabes Unidos e Vietnã. Os Emirados Árabes não constavam da lista divulgada ontem. Vietnã estava na relação dos países que apenas endureceram seus controles sanitários na entrada.

O balanço do Ministério da Agricultura mostra também que quatro países apenas aumentaram a fiscalização sanitária sobre a carne brasileira. São eles Estados Unidos, Coreia do Sul, Malásia e Argentina. Israel, Barbados e Rússia apenas pediram informações adicionais.

EUA. O indicado para ocupar o posto de secretário da Agricultura dos Estados Unidos, Sony Perdue, disse que seu país não deve bloquear as importações de carne do Brasil por causa de preocupações surgidas por um suposto esquema de corrupção envolvendo autoridades sanitárias e frigoríficos. Esse tipo de atitude, alertou, poderá resultar em futuras retaliações comerciais por parte do Brasil e também de outros países. A informação consta de nota, emitida pelo Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) e divulgada pelo Ministério da Agricultura.

“Já sabemos que tivemos alguma influenza aviária altamente patogênica, e alguns países responderam bloqueando produtos avícolas dos EUA”, disse Perdue, na nota. “Portanto, sendo (um problema) localizado, eu não quero punir um país dessa forma.”

Concorrência. O ministro da Agricultura, Blairo Maggi, lamentou o fato de a Austrália ter sido autorizada a exportar carne bovina para a China, na esteira das revelações da operação Carne Fraca. Ele explicou que a Austrália tinha restrições para entrar no mercado chinês. Porém, todos os frigoríficos do país foram autorizados a exportar. “Era um concorrente com quem brigávamos dia a dia. Agora, eles têm uma vantagem enorme sobre nós”, comentou.

Ele reconheceu que a crise deixou o Brasil vulnerável ao ataque de concorrentes. Segundo avaliou, os países são solidários, mas o País deverá sofrer ataques no front comercial.

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