Sobeet alerta sobre reservas e vulnerabilidade externa

A Sociedade Brasileira de Estudos de Empresas Transnacionais e da Globalização Econômica (Sobeet) avaliou hoje que os ajustes promovidos pelo governo Lula não resolveram a vulnerabilidade externa, que pode se acentuar se o governo não colocar em prática uma estratégica de recomposição das reservas internacionais.A Sobeet enumera três fatores que o governo precisa começar a atacar. Primeiro, é a forte dependência do saldo da balança comercial para o ajuste das contas externas. "Estamos exportando quantidade, mas não qualidade, disse Fernando Ribeiro, economista da Sobeet. Segundo ele, que dois terços das exportações estão comprometidas com os passivos e os serviços da dívida. "Esse também um fator de vulnerabilidade grave", disse. Em terceiro, o economista disse que as reservas internacionais estão "perigosamente" baixas em US$ 22 bilhões, adotando o conceito que inclui os desembolsos do FMI.Para a Sobeet, o perfil da dívida externa constitui forte restrição ao setor externo, uma vez que demanda amortizações anuais de US$ 30 bilhões. Embora a dívida externa tenha se estabilizado, mostrando até uma tênue redução a partir do terceiro trimestre do ano passado, a Sobeet afirma que a relação dívida/exportações está acima de 208,9%, quando um bom resultado seria de 200%.Já da Sobeet, Antônio Corrêa de Lacerda, disse que o governo precisa rever urgentemente o sistema de metas da inflação. "A forte pressão que o IGP-M exerce nas decisões do Banco Central sobre a taxa Selic reduz consideravelmente o espaço para cortes nas taxas de juros". Para ele, o sistema de meta de inflação hoje é rígido demais e inviabiliza o corte nas taxas de juros, que encarece a dívida pública e atrasa o crescimento econômico. "O problema não é a meta em si, mas o sistema da meta. É preciso flexibilizá-la", disse. A Sobeet estima que a inflação medida pela Fipe deverá fechar o ano em 6,5%. Para 2005, os economistas da entidade prevêem uma taxa de 5%. Ambas dentro da meta fixada pelo governo.

Agencia Estado,

29 de julho de 2004 | 17h37

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