Sobeet conta com desvalorização do real

O presidente da Sociedade Brasileira de Estudos de Empresas Transnacionais e da Globalização Econômica (Sobeet), o economista Antonio Corrêa de Lacerda, disse hoje que, entre os impactos das novas regras anunciadas pelo governo argentino no curto prazo para a economia brasileira estão a desvalorização do real, maior volatilidade nos negócios da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) e também a inversão da tendência de queda nos juros, fortalecida pelas altas nos índices de inflação anunciados recentemente. "Se as mudanças previstas na Argentina derem um resultado positivo, é possível que haja uma queda da Selic em março", disse o economista, que aposta em um corte de 0,5 ponto porcentual nos juros básicos.No setor produtivo, os reflexos seriam a redução das vendas para o país vizinho e a inadimplência dos contratos firmados com os fornecedores brasileiros. "No entanto, no médio prazo as mudanças serão extremamente positivas para o Brasil, a quem é bastante interessante ter um parceiro comercial forte", explicou.Para Lacerda, a falta de liquidez do peso continuará segurando sua cotação frente ao dólar que, no câmbio flutuante, "está longe do teto". Com isso, a cotação deve romper a barreira dos 2 pesos por dólar já nos próximos dias. Ele não acredita que a equipe econômica argentina tenha disponíveis instrumentos eficazes para o combate da inflação que poderia resultar da pesificação de todo o ativo e passivo do sistema financeiro, seguida pela forte emissão de moeda, mencionada por alguns como solução de emergência.O economista propõe que o governo brasileiro, como forma de ajudar o vizinho, ao invés de suspender a tarifa de importação de todos os produtos argentinos - conforme sugeriu o economista Edmar Bacha -, "use toda a sua credibilidade e liderança do Mercosul junto aos organismos financeiros internacionais para viabilizar o socorro à Argentina". "Acho que a própria desvalorização do peso já resgata a competitividade do país", finalizou.Leia o especial

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