Sobeet critica recomendação do FMI sobre juros

O presidente da Sociedade Brasileira de Estudos de Empresas Transnacionais e Globalização (Sobeet), o economista Antonio Correa de Lacerda, afirmou hoje que as recomendações feitas ontem pelo FMI à equipe econômica brasileira, de manter uma política monetária apertada, "são equivocados, como de resto costumam ser as recomendações do FMI". "O Brasil tem hoje taxas de juros absurdamente elevadas, com efeitos severos sobre a atividade econômica e a dívida pública", afirmou Lacerda, para quem o PIB não deverá crescer em 2002 mais do que 2,5%. Segundo ele, o superávit primário de R$ 43,7 bilhões conseguido no ano passado foi anulado pela elevada dívida pública, de R$ 86,4 bilhões, gerando um déficit nominal de R$ 42,7 bilhões. "O superávit foi expressivo, superior a 3% do PIB. Para aumentá-lo, só um arrocho muito grande nas despesas e elevação da carga tributária, o que não queremos", disse. A saída, segundo ele, é diminuir os juros para diminuir os encargos da dívida pública. "Podemos tranquilamente chegar ao final do ano com juros na casa dos 17%, que ainda é longe do ideal", afirmou. Para ele, o País precisa "romper com a dependência externa". "Para reduzir, precisamos aumentar o saldo comercial", disse. Se isso tudo for conseguido, garante Lacerda, o País poderá, em dois ou três anos, voltar a crescer de modo sustentado a taxas de 4% a 5% ao ano.

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