Sobeet diz que governo ?dormiu no ponto? mas não é incompetente

O presidente da Sociedade Brasileira de Estudos de Empresas Transnacionais e da Globalização Econômica (Sobeet), Antônio Corrêa de Lacerda, acredita que o governo "dormiu no ponto" na questão dos bingos no Senado e na perda do controle para a oposição da comissão especial que vai analisar o salário mínimo de R$ 260. Entretanto, ele ponderou que a derrota do governo por apenas 1 voto no Senado está longe de representar uma "incompetência", como vem sendo classificada por alguns analistas políticos e por partidos de oposição."Vejo apenas como um cochilo, como uma falta de articulação", sustentou, argumentando que o governo já demonstrou habilidade técnica em outras ocasiões, como na aprovação da reforma da Previdência, do novo modelo elétrico e do PPP (Parceria Público-Privada). Para o economista, as derrotas do governo não foram "algo grave", mas apenas uma "falha episódica" e, por isso, não devem afetar negativamente a avaliação dos investidores estrangeiros sobre o Brasil.Lacerda ressaltou que são outros os fatores que preocupam os investidores estrangeiros. Ele citou como exemplo as indefinições em torno do marco regulatório (regras), as quais, no seu entendimento, contribuem para o adiamento de investimentos, postergando as possibilidades de crescimento sustentado do País. "Temos gargalos importantes como na infra-estrutura, que precisam ser resolvidos", observou.Investimento estrangeiroO presidente da Sobeet explicou que são as incertezas em relação ao marco regulatório que levaram a entidade a refazer para baixo as estimativas sobre o fluxo de investimentos estrangeiros diretos (IED) este ano. "A Sobeet trabalha com projetos que vão ser realizados. Mas, até o momento, não terminamos nosso levantamento", disse Lacerda, que estima um fluxo abaixo dos US$ 15 bilhões previstos no início do ano. "Provavelmente isso vai ocorrer devido à postergação de projetos importantes, como na área elétrica", ponderou.Questionado se o Brasil estava perdendo o charme para atrair investimentos externos, Lacerda disse que "isso é muito relativo". Para ele, investimento em determinados países têm algo de "modismo". Para ele, a moda hoje é a China, Índia e a Rússia, embora estes dois últimos países tenham quase sempre recebido menos recursos que o Brasil. "O Brasil está meio na geladeira por conta dessas indefinições e da falta de crescimento econômico. Mas esse não é um diagnóstico definitivo. Investimento para o setor produtivo demora mesmo para ser decidido, não é como no mercado de capitais."

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