Soberania só virá com indústria naval forte, diz Lula

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou hoje, no seu programa semanal de rádio, divulgado pelo sistema Radiobrás, que "o Brasil está gastando agora quase US$ 10 bilhões por ano com transporte marítimo porque não tem mais navios". "A Petrobras tomou a iniciativa de contratar 42 navios, dos quais 22 vão ser licitados hoje. Por isso, eu participarei em Niterói de um ato com os trabalhadores metalúrgicos da Petrobras por conta do anúncio da abertura da licitação". Segundo ele, o investimento é necessário, já que só a Petrobras gasta por ano US$ 1,2 bilhão com frete. "O Brasil só será soberano se tiver uma indústria naval altamente forte", sentenciou o presidente.Lula salientou ainda que o País "vai agora construir os seus navios nos seus próprios estaleiros". "O mais importante de tudo isso é que nós temos toda uma política para a indústria naval brasileira. Ou seja, através do Ministério da Pesca, nós criamos um financiamento para a frota de pequenos barcos".Ele também considerou que o mercado externo poderá ajudar a indústria naval a se desenvolver, com encomendas. "Eu estou convencido que nós voltaremos a ser uma grande indústria naval se pensarmos grande. Nós temos a Venezuela que precisa contratar dezenas de navios, a Argentina, o Equador, a Colômbia. Nós precisamos fazer parceria entre os países da Comunidade Sul-Americana de Nações para que tenhamos no Continente uma grande indústria naval".O presidente também salientou como fator importante para o País de imediato está na geração de mais empregos e explicou: "O Brasil inteiro vai se beneficiar porque investir na indústria naval significa criar mais empregos nas indústrias do aço e química, na siderurgia, no comércio, nos estaleiros e portos. Na verdade, uma cadeia de indústrias vai ser beneficiada com o investimento na indústria naval".Lula criticou o governo anterior pela desmobilização da indústria naval. Estamos provando que sabemos fazer as coisas. E aquilo que nós soubermos fazer, nós queremos fazer. Aquilo que nós não soubermos, nós vamos comprar lá fora. Mas não abrimos mão das coisas que tivermos competência para fazer. A indústria naval brasileira veio para ficar".

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