Sobreviventes entre mortos e feridos

Este será o terceiro ano consecutivo de declínio da produção industrial do País. A retração de -3% em 2014 avançou para -8,3%, em 2015, chegando a -11,4% no primeiro quadrimestre deste ano. A magnitude da crise, entretanto, não tem sido igual para todos os segmentos industriais.

Rafael Cagnin*, O Estado de S.Paulo

02 Junho 2016 | 21h09

Em 2015, de 96 segmentos acompanhados pelos IBGE, dez apresentaram crescimento de produção. Mesmo que em alguns casos tenha havido queda nos anos anteriores, é uma prova de resistência em um ambiente de profunda crise econômica. Foi este o caso de celulose, por exemplo.

Já no acumulado dos quatro primeiros meses de 2016, o número de segmentos industriais com crescimento avançou para 17 e, daqueles que têm conseguido obter alguma melhora do seu desempenho, chegou a 25.A lista inclui, principalmente, segmentos ligados às indústrias químicas que atendem ao agronegócio e à indústria alimentícia.

Outra indicação favorável para o quadro industrial veio da queda de apenas 0,3% do PIB da indústria de transformação no primeiro trimestre – rompendo com o padrão de 2015, quando a indústria sempre caía mais do que o PIB total.

Mas essas indicações de melhora ainda são insuficientes. Dos dez segmentos que não sofreram a crise em 2015, cinco tiveram piora substantiva no primeiro quadrimestre de 2016 e já entraram no campo negativo na comparação com o mesmo período do ano anterior. Ao todo, o desempenho de 32 segmentos (33% do total) piorou neste início de ano. Sobretudo para esses, a crise continua.

*Economista do Iedi

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