Sociedade no Estaleiro Atlântico Sul custará US$400 mi--fonte

O novo sócio do Estaleiro Atlântico Sul (EAS) terá que colocar 400 milhões de dólares no projeto para arrematar 30 por cento da companhia, disse uma fonte familiarizada com as negociações.

LEILA COIMBRA, REUTERS

29 de março de 2012 | 18h08

O estaleiro precisa de um novo sócio que detenha a tecnologia de fabricação de sondas, uma vez que a coreana Samsung, que detinha 6 por cento do EAS, saiu da sociedade recentemente.

A Samsung não chegou a transferir a expertise para os sócios e isso coloca em risco o programa de exploração de petróleo da Petrobras.

As construtoras Camargo Corrêa e Queiroz Galvão, que hoje possuem 50 por cento do estaleiro cada, estão em negociação com as japonesas Mitsui e Mitsubishi, com a polonesa Remontowa e também a norueguesa LMG, segundo a fonte, que pediu para não ser identificada.

A Petrobras contratou, via Sete Brasil, uma empresa intermediária, sete sondas para serem construídas no EAS. Cada uma custa entre 600 e 800 milhões de dólares.

Como a entrega das sondas dentro do prazo é essencial para que a Petrobras cumpra seu cronograma de exploração e produção de petróleo, a estatal chegou a negociar a ampliação da participação do Samsung para aproveitar o conhecimento tecnológico do grupo e acelerar projetos.

O objetivo agora é fechar uma participação maior no Atlântico Sul, onde a empresa estrangeira e os sócios brasileiros tenham divisão homogênea da sociedade, entre 30 e 40 por cento cada.

As relações entre os sócios brasileiros e os coreanos vinham piorando desde 2011, quando o navio João Cândido apresentou uma série de problemas.

O navio foi entregue com mais de um ano de atraso à Transpetro, subsidiária da Petrobras, e as falhas do projeto levaram os sócios brasileiros a questionar a parceria tecnológica com os asiáticos.

A Camargo Corrêa, o Queiroz Galvão e o EAS não quiseram comentar o assunto.

EIKE BATISTA

Os problemas do Atlântico Sul começam a provocar uma movimentação nos bastidores do setor naval brasileiro, com a concorrência esperando se beneficiar e abraçar as encomendas da Petrobras.

O empresário Eike Batista, dono do estaleiro OSX, em construção, falou na semana passada que seu relacionamento com a Petrobras vem se estreitando e que ele poderá vir a construir sondas para a estatal.

A OSX possui acordo de transferência da tecnologia com a Hyundai e, segundo o empresário, a compra do know-how dos coreanos custou 250 milhões de dólares.

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