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Sociedade rural espera sensibilidade de Guedes

O presidente da Sociedade Rural Brasileira (SRB), João Sampaio, disse nesta sexta-feira que espera do novo ministro da Agricultura, Luis Carlos Guedes Pinto, a sensibilidade para manter a mesma posição do ministro demissionário, Roberto Rodrigues, que é contrário a alteração dos índices que medem a produtividade no campo para fins de reforma agrária. A proposta de alteração nos índices é do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) e está para ser analisada pelo Conselho Nacional de Política Agrícola (CNPA), ligado ao Ministério da Agricultura. A iniciativa do MDA ter por objetivo incorporar o progresso científico e as novas tecnologias ao conceito de produtividade rural e devem aumentar substancialmente o estoque de propriedades passíveis de desapropriação.Na opinião de João Sampaio, se o assunto for colocado em discussão neste momento de crise na agricultura haverá um acirramento dos ânimos no campo, "que podem levar à conseqüências trágicas". Expectativa O presidente da SRB diz que o setor está na expectativa de que Guedes Pinto mantenha a política que vinho sendo desenvolvida por Roberto Rodrigues, "já que ele era o segundo homem na hierarquia do Ministério". Sampaio diz que Guedes Pinto conhece as dificuldades que os produtores rurais estão enfrentando e deve dar prosseguimento à implantação das medidas anunciadas pelo governo para atenuar os problemas.O presidente da Associação dos Cafeicultores do Paraná, Luis Suplicy Hafers, disse que o novo ministro deve dar continuidade ao trabalho de Roberto Rodrigues, "pois eles trabalhavam afinados, apesar da diferença ideológica". Hafers acredita que mudanças de fato na gestão só devem ocorrer no novo governo Lula, "ou por milagre num governo de Geraldo Alckmin". Já o presidente da Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (Faeg), Macel Félix Caixeta, espera que o novo ministro tenha uma postura livre de amarras ideológicas e sensível às causas do setor rural. Segundo Caixeta, as referências que o setor rural possui do novo ministro são da época em que Guedes esteve à frente da presidência da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), em 2003. O representante da Faeg explica que, já naquela época, o novo ministro se mostrava interessado pelos problemas da agropecuária. Ele espera ainda que o setor rural possa ter ao seu lado um ministro com convicções suficientemente maduras para tratar das causas mais prementes como a reforma agrária e o auxílio ao campo.O presidente em exercício da Federação da Agricultura do Mato Grosso (Famato), Normando Corral, se diz indiferente em relação à troca no comando do ministério. "O problema não é de ministro e sim da falta de uma política agrícola no governo." Corral diz que Roberto Rodrigues tem muita capacidade, "mas o governo Lula não está preocupado com a agricultura empresarial".

Agencia Estado,

30 de junho de 2006 | 17h59

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