Société diz que fraude gira em torno de 50 bilhões de euros

O banco francês Société Générale afirmouno domingo que a suposta fraude descoberta pelo banco no fim desemana passada gira em torno de 50 bilhões de euros (73,26bilhões de dólares). O banco anunciou a fraude na quinta-feira, acusando umoperador júnior de realizar operações no mercado financeiro quecustaram à instituição 4,9 bilhões de euros em perdas. O trader, identificado pela polícia como Jerome Kerviel, de31 anos, está em custódia e sendo interrogado. O comunicado do banco no domingo afirma que a instituiçãocomeçou a desmontar as posições assumidas pelo trader em ummercado "desfavorável" a partir de 21 de janeiro, completando aoperação até 23 de janeiro. O banco afirmou que os acordos realizados conforme eledesmontava posições do trader respondiam por 5,9 a 8,1 porcento dos volumes de negociações no índice de futuros daEurostoxx, 5,7 a 7,8 por cento dos futuros DAX e até 3,1 porcento dos futuros FTSE que mudaram de mãos. O comunicado dá uma cronologia dos eventos desde 18 dejaneiro, quando diz que descobriu uma operação comercial"incomum". O comunicado explicou ainda que em 18 de janeiro osgerentes imediatos do trader foram alertados do problema e elespor sua vez avisaram seus supervisores. Uma equipe investigou o trader de 18 a 20 de janeiro. OSociété afirmou em seu comunicado que o trader admitiu "termontado operações fictícias" e "cometido irregularidades". O Société explicou que descobriu todas as operações dotrader até 20 de janeiro, e na tarde daquele dia soube qual erao tamanho da exposição. O Société disse ainda que, após as perdas, vai tomarmedidas para fortalecer seus sistemas de controle de risco. Kerviel foi interrogado no domingo pelo segundo dia pelapolícia financeira, que disse que ele estaria cooperando com asinvestigações. Ele entregou-se às autoridades no sábado. A polícia ampliou a custódia de 24 horas para outras 24horas no domingo para permitir mais tempo de interrogatório, etem até a tarde de segunda-feira para decidir se o confia a umjuiz de investigação antes de um possível indiciamento, ou se oliberam por falta de provas. "Tudo está correndo bem. Ele está cooperando e está prontopara explicar o que aconteceu", disse a repórteres no sábadoJean Michel Aldebert, chefe da seção financeira da promotoriade Paris. O Société deu queixa à polícia com três acusações --falsificação fraudulenta de registros bancários, usofraudulento de tais registros e fraude por computador. Na sexta-feira, a polícia visitou os escritórios da SociétéGénérale onde Kerviel trabalhava para investigar os registrosde seu computador, e também revistou o apartamento em que vive,nos arredores de Paris. A família de Kerviel diz que ele está sendo feito de bodeexpiatório para o maior escândalo financeiro da história. Um advogado que atua em nome dos acionistas do Société, queentraram com uma ação judicial ligada aos prejuízos, disse serimpossível Kerviel ter agido sozinho ou sem deixar rastros desuas atividades, e acusou o banco de negligência. ( Por Thierry Leveque, Crispian Balmer e Sudip Kar-Gupta)

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.