Société Générale perde prestígio após fraude de US$7 bilhões

O banco francês Société Généraleenfrentou duros questionamentos na sexta-feira sobre comofalhou em detectar o maior escândalo financeiro da história noqual um único operador provocou a perda de 7 bilhões dedólares. O Société Générale conseguiu angariar um aporte de capitalde 5,5 bilhões de euros (8,06 bilhões de dólares) com a ajudade seus rivais, mas a questão entre analistas e jornais era porquanto tempo o segundo maior banco francês continuariaindependente. Em anúncios de página inteira nos principais jornaisfranceses, o presidente da instituição, Daniel Bouton, pediudesculpas aos acionistas do banco, enquanto alguns veículos daimprensa colocavam em dúvida a duração da permissão dada peloconselho do banco para que Bouton continue no cargo. "Entendo perfeitamente o desaponto e a raiva de vocês. Estasituação é completamente inaceitável", escreveu Bouton. "Peçoque aceitem minhas desculpas e meu profundo pesar." Investidores mundiais em geral minimizaram o escândalo. Asações no mercado asiático subiram após um fechamento em alta emWall Street, provocado pela aprovação de um pacote de estímuloeconômico nos EUA pelo presidente do país, George W. Bush, epor líderes do Congresso. O principal jornal diário sobre economia da França, o LesEchos, classificou o desfalque como "o choque que espantou omundo financeiro", argumentando que a posição de Bouton haviasido enfraquecida e o banco --7o maior na zona do euro emvalor-- era agora um alvo potencial para aquisição. Os funcionários do Société Générale estavam "chocados e emmodo de espera", afirmou um dos empregados do banco em HongKong. O porta-voz do banco, Laurent Tison, disse que os gerentesexplicavam a situação para suas equipes, enquanto o bancotambém procurava manter contato com os clientes. O paradeiro do trader que desprestigiou uma dasinstituições mais antigas e respeitadas da França eradesconhecido. De acordo com seus colegas de trabalho, o nome do fraudadorera Jerome Kerviel, 31 anos, mas o Société Générale se recusoua confirmar esta informação e disse não saber onde ele estava. O banco disse que um empregado júnior em sua mesa denegociação de derivativos, que recebia menos de 100.000 eurospor ano, confessou ter realizado uma sofisticada fraude,provocando 4,9 bilhões de euros em perdas quando suasdesastradas negociações foram canceladas nos mercadosviolentamente voláteis. A advogada Elisabeth Meyer, que disse representar ooperador desaparecido, disse em uma entrevista de televisão queele não havia fugido e conversaria com a polícia casoconvocado. O banco rival BNP Paribas estimou que a exposição doSocieté Générale havia sido da ordem de 33 bilhões de euros eoutros questionaram se o negociador havia sido usado como umadesculpa para ocultar problemas mais graves no bancorelacionados à crise de crédito. O Banco da França disse que o Société Générale era"sólido", mas a revelação do escândalo trouxe de voltalembranças do colapso do banco britânico Barings, em 1995,provocado por fraudes do operador Nick Leeson.

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