Sócio da Pimco defende mais impostos aos ‘tios patinhas’

Para Bill Gross, taxações maiores ao trabalho que ao capital precisam acabar

O Estado de S.Paulo

01 de novembro de 2013 | 02h07

Bill Gross, cofundador e gestor de fundos da Pimco (Pacific Investment Management Co.), defendeu uma reforma tributária voltada para a promoção do crescimento econômico nos Estados Unidos e uma distribuição de renda mais equitativa.

Em seu artigo mensal sobre perspectivas de investimentos, ele faz um alerta aos chamados "Tios Patinhas" americanos - e se inclui entre eles.

"Tendo me beneficiado enormemente da alavancagem de capital desde o começo de minha carreira, e tendo compartilhado uma parcela decrescente de minha renda graças aos presidentes Ronald Reagan e George W. Bush por meio de menos impostos, agora eu encontro minhas inclinações intelectuais mudando na direção do trabalho", escreve Gross.

"Tendo ficado rico às custas dos trabalhadores, a culpa se estabelece e eu começo a lamentar pelos menos favorecidos, ao escrever 'perspectivas de investimento' que põem em destaque o sucesso que, para começar, me deu esse palanque", prossegue o artigo.

"Eu perguntaria aos Tios Patinhas do mundo, que criticam com tanta veemência uma taxação dos ricos que eles consideram contraproducente e até mesmo incapacitante, em meio a lucros corporativos e renda pessoal historicamente altos, que considerem o seguinte: ao invés de entrar na discussão sobre reforma tributária do ponto de vista de como é enorme a porcentagem dos impostos gerais sobre a renda que aqueles no 1% com maior renda pagam, considerem o quanto da renda nacional vocês têm o privilégio de ganhar.

Nos EUA, a parcela da renda total pré-impostos recebida pelo 1% no topo mais do que dobrou, de 10% nos anos 1970 para 20% hoje. Admita que você, eu e os outros no magnífico 1% crescemos em uma era dourada de crédito, na qual aqueles que tomavam dinheiro emprestado ou cobravam comissões para expandir ativos financeiros tinham uma chance muito maior de entrar na 'tenda grande' do que aqueles que usavam as mãos para ganhar a vida", escreve Gross.

Para ele, "agora é tempo de compartilhar parte de sua boa fortuna pagando mais impostos, ou reformando-os para favorecer o crescimento econômico e o trabalho, em contraste com lucros corporativos e bilhões pessoais". Você ainda será capaz de comparecer àqueles bailes de caridade e de demonstrar a sua benevolência e caráter filantrópico a um público admirador. Só terá de escrever um cheque um pouco menor. Tio Patinhas reclamaria, mas ele está nadando em dinheiro e tem como remar para o lado mais raso por algum tempo. Se você está nos privilegiados 1%, deveria estar remando junto e disposto a apoiar impostos mais altos sobre receita com juros, e certamente sobre ganhos de capital ajustados às alíquotas de imposto sobre renda marginal. Stanley Druckenmiller e Warren Buffett defenderam propostas semelhantes recentemente. A era de taxar 'capital' a taxas mais baixas do que o 'trabalho' deveria terminar agora".

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