Sócio diz que liminar interrompeu negócio Braskem-Quattor

Além de paralisar o negócio, o empresário tem planos de assumir o controle da holding

André Magnabosco, da Agência Estado,

23 de dezembro de 2009 | 09h24

As negociações em torno da possível incorporação da Quattor pela Braskem estão interrompidas novamente, segundo informou à Agência Estado o empresário Alberto Soares de Sampaio Geyer. O empresário, sócio da Vila Velha Administração e Participações, disse que na terça-feira, 22, por volta das 22 horas, obteve na Justiça do Rio de Janeiro liminar em processo no qual pede a paralisação das negociações entre os controladores das duas empresas. A Agência Estado não teve acesso ao teor da decisão e nesta quarta-feira, 23, ainda não conseguiu localizar assessores da Braskem para que a empresa comente o assunto.

 

Representado pelo advogado Ivan Nunes Ferreira, do escritório Nunes Ferreira, Vianna Araújo, Cramer, Duarte Advogados, Alberto Geyer decidiu ingressar ontem com ação semelhante à proposta pela irmã Joanita Soares de Sampaio Geyer. A empresária obteve no início de outubro passado liminar que inviabilizou a assinatura de qualquer acordo entre Odebrecht (controladora da Braskem), Vila Velha (controladora da Quattor) e Petrobras (sócia minoritária nas duas petroquímicas) até o começo deste mês.

 

Na semana passada, após acordo com os demais sócios da Vila Velha - com exceção de Alberto -, Joanita optou por desistir do processo, decisão que garantiu a retomada das negociações, uma vez que a liminar perdeu a validade. Alberto resolveu agora retomar o processo. "O negócio é lesivo ao meu patrimônio", justificou o empresário, que detém 24% de participação na Vila Velha e se mostra contrário à união entre Quattor e Braskem.

 

Além de interromper o negócio envolvendo as petroquímicas, Alberto Geyer tem planos de assumir o controle da holding. Isso antes mesmo de a Justiça julgar o mérito da nova ação. "Com essa liminar haverá tempo para que os sócios da Vila Velha possam analisar a oferta de compra que fiz", afirmou o executivo, sem dar detalhes da proposta pelo controle da holding, que chamou de "irrecusável".

 

A oferta, informou Alberto, deve ser analisada pelos demais sócios da holding até o próximo dia 4 de janeiro - fazem parte do controle da Vila Velha, além de Alberto, Frank, Vera e Maria Geyer - Joanita deixou a holding após o acordo que resultou também no fim do processo que pedia a interrupção das negociações.

 

Caso a operação seja concluída e o controle da holding fique nas mãos de Alberto, o acordo entre Braskem e Quattor seria suspenso, já que o empresário foi, juntamente com Joanita, um dos votos contrários à criação da Quattor e ao processo de consolidação do setor. Mas é exatamente essa dissensão familiar que torna pouco provável no momento um acordo entre Alberto e os demais membros da família Geyer.

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