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Sócio do BES, Bradesco pode aumentar participação no banco português

Encontrar um investidor para a instituição financeira da família Espírito Santo é uma das saídas para os problemas financeiros do grupo

Fernando Nakagawa, Mariana Durão, O Estado de S.Paulo

22 de julho de 2014 | 02h04

Após a afirmação do presidente do Banco de Portugal, Carlos Costa, de que há acionistas querendo investir no Banco Espírito Santo (BES), instituições portuguesas, espanholas e até o Bradesco estão sendo cogitados, nos bastidores, como possíveis interessados em aportar recursos no banco da família Espírito Santo - cujo grupo vem passando por uma série de dificuldades financeiras. O BC português não dá detalhes.

Ontem, o jornal Diário Económico afirmou que ao menos cinco bancos estrangeiros entraram em contato com o Banco de Portugal manifestando interesse em investir no BES. A reportagem cita o Bradesco, que tem uma fatia de 3,9% do BES.

O presidente do conselho de administração do Bradesco, Lázaro Brandão, disse ontem ao Broadcast, serviço em tempo real da Agência Estado, que um novo aporte de capital dos sócios "faz sentido", mas ainda terá de ser avaliado. "Ainda não fomos convocados para isso."

Para Brandão, houve um descompasso no endividamento da holding do Grupo Espírito Santo (GES), mas a situação não extrapolou para o banco. "Há uma reiteração de que o banco está bem, enxuto e tem respaldo do banco central", disse. Ele classificou a situação dos sócios do grupo português de "embaraçosa", já que a holding precisa vender ativos para sobreviver. "Eles terão de contar com a compreensão (do mercado)."

A crise do GES tem afetado diretamente o braço financeiro do conglomerado português. Nos últimos dez dias, o valor da ação do Banco Espírito Santo (BES) caiu quase pela metade. O tombo é sinal de desconfiança do mercado, mas autoridades dizem que o banco não tem problemas e, ao contrário, estaria até atraindo investidores. O reforço de capital com os atuais acionistas ou a entrada de um novo sócio são as saídas preferidas pelo governo português para a crise.

De concreto, a direção do BES informou ontem que o banco está perto de contratar uma "reconhecida instituição financeira internacional como seu conselheiro financeiro". O objetivo é "auxiliar o banco a avaliar as oportunidades de melhorar a estrutura do seu balanço".

Opções. A empresa contratada ajudará o BES em provável operação de reforço do capital. A primeira opção na mesa é chamar os atuais investidores para a empreitada. Entre os maiores acionistas, além do Bradesco, estão o francês Crédit Agricole (14,6%), o fundo britânico Silchester International Investors (4,7%), as gestoras BlackRock (4,65%) e Capital Research and Management (4,2%) e o Boston Baupost (2,27%).

Outra possibilidade vista com bons olhos pelo governo português é a negociação de parte da instituição com um novo sócio. Além do Bradesco, a imprensa portuguesa e espanhola cita como possíveis interessados o BPI, o Millennium BCP e os espanhóis do Santander e BBVA. Todos negam qualquer conversa para investir no banco.

Oficialmente, o BC português reconhece que a reorganização acionária do BES parece ser o melhor caminho para o banco reconquistar a confiança do mercado. Costa, do BC, diz que essa opção "seria boa para todos". O plano passa por diluir o peso da Espírito Santo Financial Group (ESFG) - que representa a família e atualmente tem 20,1% das ações.

Ontem, as ações do BES continuaram em queda após o anúncio de que sua maior acionista indireta, a Espírito Santo International, pediu recuperação judicial. Os papéis caíram 3,1% na Bolsa de Lisboa. Já as ações da Portugal Telecom avançaram 4,51%. A operadora de telefonia tem o GES entre seus principais acionistas. A crise do grupo tem causado dificuldades para a fusão da PT com a brasileira Oi.

Hoje, sem justificar, o BES informou que a divulgação dos resultados de semestre foi adiada do dia 25 de julho para o dia 30.

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